Mulheres são as mais penalizadas pelos baixos salários

Um estudo realizado pela CGTP revela que as trabalhadoras auferem, em média, menos 240 euros do que os homens, disparidade que se agrava quanto maior é a qualificação e contribui para uma "elevadíssima taxa de pobreza entre as mulheres desempregadas".

Teresa Correia - Antena 1 /

António Antunes - RTP

Quase 64% das mulheres trabalhadoras em Portugal recebiam uma remuneração base até 1000 euros brutos por mês em 2024, sendo que destas uma em cada cinco ganhava o salário mínimo nacional, conclui o estudo.

"As condições de vida das mulheres trabalhadoras têm-se agravado fortemente com o custo de vida a aumentar, o acesso à habitação cada vez mais dificultado e os serviços públicos a desagradarem-se por opção e ação deliberada do Governo", aponta o estudo elaborado pela Comissão para a Igualdade entre Mulheres e Homens da CGTP, para assinalar a semana da igualdade e o Dia Internacional da Mulher.

Com base nos dados do Instituto Nacional de Estatística, a CGTP assinala, que, em novembro de 2024 a força de trabalho feminina era composta por cerca de dois milhões de mulheres, dos quais 63,8% recebia uma remuneração base até 1000 euros brutos por mês. Ou seja, quase dois terços da população feminina empregada.

Destas, "377 mil ganham apenas o salário mínimo nacional, ou seja, uma em cada cinco trabalhadoras (19%)", aponta a estrutura sindical liderada por Tiago Oliveira. De recordar que o salário mínimo nacional era de 820 euros em 2024.

Por sua vez, a percentagem de homens a ganhar até 1000 euros brutos era menor (59,1% do total de 2.354.282 trabalhadores homens), segundo a análise feita com base nas declarações de remunerações à Segurança Social.

Segundo o documento, o rendimento médio salarial líquido das mulheres era de 1069 euros por mês no quarto trimestre de 2024, isto é, 18,2% inferior ao dos homens (menos 242 euros), que se situava em 1311 euros.

E, "este diferencial agrava-se nas qualificações mais elevadas", aponta a CGTP, sublinhando que "existe uma diferença de cerca de 13% no salário base bruto em desfavor das mulheres", o equivalente a menos de 164 euros em termos absolutos), isto apesar de ter "melhorado ligeiramente face ao ano anterior".

Mas "entre quadros superiores ultrapassa os 700 euros (um diferencial de 26% que se agravou face a 2021 e 2022)", acrescenta a CGTP, tomando por referência os Quadros de Pessoal de 2023.

"Os salários baixos levam muitas trabalhadoras a ter que recorrer a mais do que um trabalho para conseguirem fazer face ao custo de vida", alerta a central sindical, indicando, que, no último trimestre de 2024, "cerca de 125 mil trabalhadoras tinham uma segunda atividade profissional", o que corresponde a 5% da força de trabalho feminina empregada.

Por outro lado, a precariedade é também mais elevada entre as mulheres face aos homens e em todas as faixas etárias: 15,5% dos homens tinham empregos precários no final de 2024, enquanto nas mulheres a fasquia subia para 16,2%.

E era "particularmente elevada entre as trabalhadoras mais jovens": 52,5% entre as menores de 25 anos e 24,9% no grupo dos 25 aos 34 anos.

As mulheres representavam, no final de 2024, cerca de metade da população desempregada (51%) e a "cobertura das prestações de desemprego é muito baixa assim como o valor das prestações", com apenas 44% das mulheres a terem acesso a proteção social de desemprego.

Segundo o documento, estes dois fatores - "baixos valores" de prestações e "cobertura insuficiente" - "resultam numa elevadíssima taxa de pobreza entre as mulheres desempregadas", com a taxa a ser de 43% "mesmo após transferências sociais". Já sem estas transferências ascenderia a 64%.

c/ Lusa
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