Município de Coimbra lança primeira Assembleia Cidadã para retenção de jovens
A Câmara de Coimbra celebrou hoje um protocolo de colaboração com várias instituições para preparar, realizar e acompanhar uma Assembleia Cidadã sobre o tema da retenção de jovens na região, promovendo a participação cívica e o debate público.
"A Assembleia Cidadã de Coimbra, dedicada este ano ao desafio da retenção dos jovens, que é uma das problemáticas a que todos atribuímos prioridade, será a primeira do município e marca uma mudança profunda na nossa relação com o cidadão", afirmou a presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa.
A iniciativa da autarquia, por sugestão da Assembleia Municipal, em colaboração com a Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (CIMRC), a Universidade de Coimbra (UC) e a Universidade Politécnica de Coimbra (UPCoimbra), é subordinada ao tema "Como reter os jovens em Coimbra?".
Na sua intervenção, a autarca disse que se pretende levar para o centro da discussão "pessoas escolhidas de forma aleatória, mas que conhecem Coimbra", e ouvir a sua visão sobre como tornar a região "mais atrativa, mais dinâmica e mais capaz de responder às expectativas e aos anseios das novas gerações".
Está prevista a participação de cerca de 75 pessoas, selecionadas tendo em conta critérios de representatividade e inclusão, procurando envolver cidadãos que nem sempre participam nos canais tradicionais de consulta pública.
"A democracia não se esgota no momento do voto; é construída todos os dias, com participação informada, deliberação séria e responsabilidade partilhada", disse a autarca, que salientou que a iniciativa marca também os 50 anos do poder local.
Está prevista ainda a constituição de uma comissão de especialistas para acompanhar a assembleia e assegurar a utilização de metodologias adequadas de participação e deliberação.
A assembleia tem natureza consultiva, mas politicamente pretende-se que seja um "novo modo de diálogo, capaz de reforçar a confiança entre instituições e cidadãos", notou a autarca, acrescentando que as "recomendações da assembleia não ficarão num relatório esquecido".
"Serão apreciadas pelas entidades competentes e terão resposta pública, fundamentada e transparente", prometeu.
Ana Abrunhosa disse que Coimbra está "a integrar um movimento europeu", que tem mostrado resultados concretos, com dezenas de cidades europeias a recorrerem a assembleias ou conselhos de cidadãos para enfrentar desafios, como políticas climáticas, regeneração dos centros históricos ou estratégias de desenvolvimento local.
A reitora da UPCoimbra, Cândida Malça, disse que o protocolo é "um exercício de responsabilidade coletiva e o reconhecimento de que as melhores respostas para desafios complexos nascem do diálogo" entre cidadãos, instituições e conhecimento cientifico, e considerou que a assembleia "será tão rica e relevante quanto a diversidade de vozes que conseguir mobilizar".
Já a vice-reitora para o Ensino e Atratividade da UC, Cristina Albuquerque, garantiu que a "abertura da universidade ao território é fundamental" e destacou ainda a possibilidade ser dada voz aos cidadãos que, "muitas vezes, não têm a possibilidade de participar diretamente ou, pelo menos, não são criadas as condições para que possam afirmar" as suas propostas.
A presidente da CIMRC, Helena Teodósio, afirmou que este protocolo é um passo importante no reforço da participação dos cidadãos na construção das políticas públicas e representa para a Região de Coimbra a concretização de uma oportunidade.
"A nossa ambição é que esta experiência deixe capacidade instalada no território, que, no final, tenhamos não apenas recomendações sobre a retenção de jovens, mas também uma metodologia testada e aperfeiçoada, que possa ser adaptada a outros desafios e, no futuro, a outros municípios da Região Metropolitana de Coimbra", indicou.