Mútua dos Pescadores defende novas medidas para reforçar segurança no mar

Lisboa, 03 dez (Lusa) -- A Mútua dos Pescadores quer medidas para reforçar a segurança das embarcações de pesca, particularmente as de menor dimensão, disseram hoje dirigentes da cooperativa numa conferência de imprensa sobre o naufrágio do `Virgem do Sameiro`.

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A embarcação, que naufragou esta semana, dispunha de um dispositivo de localização, mas o mestre "tinha de optar entre pedir socorro ou alertar a tripulação" e decidiu "garantir o salvamento das vidas", disse Cristina Moço, diretora dos serviços de ação social da Mútua dos Pescadores, uma cooperativa de seguros da pesca com 15 mil associados.

A propósito do naufrágio do `Virgem do Sameiro` (cujos seis tripulantes foram resgatados na sexta-feira após três dias à deriva em alto mar), os dirigentes da Mútua quiseram frisar "a importância de implementar medidas que garantam o alerta e a localização" de pescadores vítimas de acidentes.

O `Virgem do Sameiro` era uma embarcação de 13,75 metros e, portanto, não estava obrigada a ter uma "caixa azul" -- um mecanismo de alerta automático.

"Duas coisas que merecem a nossa atenção relativamente aos equipamentos a bordo deste segmento da frota são o alargamento do sistema [de alerta automático] acoplado aos rádios VHF e as rádio-balizas"(EPIRB, equipamentos localizadores de emergência), disse Moço durante uma conferência de imprensa hoje em Lisboa.

Nos trabalhos da Comissão Permanente de Acompanhamento para a Segurança dos Homens no Mar (que agrega organizações do setor das pescas e o Ministério da Agricultura), tem-se dado prioridade às condições "das embarcações mais pequenas", acrescenta a diretora da Mútua.

"Oitenta e cinco por cento da nossa frota tem menos de nove metros", nota Cristina Moço, frisando contudo que o nível de exigência em termos de segurança "tem vindo a aumentar".

Aliás, "se esta embarcação não tivesse uma jangada pneumática", os tripulantes do `Virgem do Sameiro` teriam certamente morrido, disse Jerónimo Viana, membro da Mútua e pescador de Caxinas (Vila do Conde), a comunidade de onde partiu a embarcação naufragada.

No entanto, notou Viana, não basta melhorar a qualidade dos equipamentos de segurança a bordo.

"A nível governamental, e se calhar também na comunidade, esquecem-se de que os barcos estão a ficar velhos. E esquecem-se de que a segurança começa nos cascos dos barcos", disse Viana. "O dinheiro podia ser direcionado não só para os equipamentos mas também para renovação dos barcos", acrescentou.

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