Na questão colonial, liberais em sintonia com Marcelo Caetano
Lisboa, 09 OUT (Lisboa) - Os liberais estavam "em sintonia com Marcelo Caetano" na questão colonial, defendeu quarta-feira o ex-presidente da Assembleia da República Mota Amaral, durante a conferência "O Regime e a Ala Liberal", no Grémio Literário de Lisboa.
"Apesar de ser óptimo pensar no surgimento de novos "Brasis" em África, na altura não era possível", clarificou.
A Ala Liberal foi constituída por uma geração de políticos adeptos de uma forte liberalização do regime do Estado Novo que integraram o grupo de deputados da Assembleia da República durante o regime de Marcelo Caetano.
O grupo foi composto por personalidades como Francisco Sá Carneiro, Francisco Pinto Balsemão, Mota Amaral, Joaquim Magalhães Mota, Miller Guerra, entre outros.
"O que nos unia era uma comum expectativa de ajudar a promover uma transição do regime para a democracia", acrescentou o ex-presidente da Assembleia da República.
"Sá Carneiro teve um papel decisivo neste grupo de deputados e de dinamização política", sublinhou ainda Mota Amaral.
A falência das iniciativas para a liberalização e democratização progressiva do regime de Marcelo Caetano levou, já no fim do regime, a um abandono continuado dos deputados da Ala Liberal da Assembleia, dos quais Sá Carneiro foi o primeiro.
"Quando aceitei o convite para o Governo, foi na convicção de que Marcelo Caetano era o homem certo para liderar a mudança política e quando ele chegou ao poder tinha a intenção de cumprir essa mudança", sublinhou João Salgueiro, subsecretário de Estado do Planeamento do Governo de Marcelo Caetano entre 1969 e 1971.
A Ala Liberal defendeu, no fim do Estado Novo, algumas das medidas que foram alcançadas com o 25 de Abril, que marcou o fim da era marcelista, como a abolição da censura e a proclamação da liberdade de Imprensa, a liberdade de associação, o reforço dos poderes da Assembleia Nacional e a restauração do sufrágio universal para a eleição do Presidente da República.
"As posições políticas que tomámos configuram que aquele grupo aparece como uma terceira via, algo de novo, diferente do Governo, mas não como a oposição clássica que desistia das eleições", sublinhou o ex-primeiro-ministro Francisco Pinto Balsemão, também presente na conferência.
"Tive pena que para o fim nos tenhamos afastado, porque Marcelo Caetano foi o melhor Professor que tive na Faculdade de Direito e tinha por ele muita estima", confessou ainda Pinto Balsemão.
O evento, que teve lugar no Grémio Literário de Lisboa, inclui-se no ciclo de debates "Tempos de Transição" que irá decorrer durante os meses de Outubro e Novembro.
JZGM.