Não dar tolerância de ponto é "acrescentar um dia de trabalho forçado e não pago" - PCP
O Partido Comunista Português (PCP) considera que a decisão de não atribuir tolerância de ponto no Carnaval, hoje anunciada pelo primeiro-ministro, é "acrescentar mais um dia de trabalho forçado e não pago aos trabalhadores".
Em declarações à Lusa, Paulo Raimundo, da comissão política do comité central do PCP, disse que a não atribuição da tolerância de ponto na terça-feira de Carnaval, como é habitual, é "acrescentar aos quatro feriados cortados, já anunciados pelo Governo, mais este dia".
O primeiro-ministro, Passos Coelho, anunciou hoje que o Governo não dará tolerância de ponto aos funcionários públicos no Carnaval, argumentando que "ninguém perceberia" que tal acontecesse numa altura em que o Executivo se propõe acabar com feriados.
Para o governante, esta é uma medida "desajustada da realidade portuguesa e desajustada das tradições da sociedade portuguesa", referindo-se aos vários municípios com fortes tradições carnavalescas.
"Pedro Passos Coelho não é o primeiro primeiro-ministro que se lembrou disto [não dar tolerância de ponto no Carnaval], já outro primeiro-ministro fez o mesmo e depois teve a resposta adequada dos trabalhadores", afirmou Paulo Raimundo, numa alusão a Cavaco Silva.
Em 1993, o então primeiro-ministro Cavaco Silva decretou que a terça-feira de Carnaval nesse ano não daria direito a tolerância de ponto, o que sucedeu pela primeira vez em 23 anos. Nesse dia, os deputados do PSD compareceram em massa à Assembleia da República mas foram os únicos a aparecer.
Hoje, à saída da cerimónia de aniversário da Associação Industrial Portuguesa (AIP), em Lisboa, Passos Coelho disse: "ninguém perceberia em Portugal, numa altura em que nos estamos a propor acabar com feriados como o 5 de Outubro ou o 1.º de Dezembro ou até feriados religiosos, que o Governo pensasse sequer em dar tolerância de ponto, institucionalizando a partir de agora o Carnaval como um feriado em Portugal".