"Não vamos desistir". Presidente do INEM pede "críticas construtivas" dos trabalhadores no dispositivo

"Não vamos desistir". Presidente do INEM pede "críticas construtivas" dos trabalhadores no dispositivo

Com a ameaça de protestos, os trabalhadores do INEM reúnem-se esta quinta-feira para analisar as alterações contestadas do dispositivo de emergência médica pré-hospitalar. Em entrevista à RTP Antena 1, Luís Cabral deixa duras críticas à Comissão de Trabalhadores e ao sindicato, garantindo que não vai desistir da refundação do instituto – embora aguarde novidades sobre se continua no cargo.

Gonçalo Costa Martins - RTP Antena 1 / Adicionar como fonte informativa
“Não iremos desistir” das reformas em curso, afirma Luís Cabral | António Cotrim - Lusa

As visões não podiam ser mais opostas: a Comissão de Trabalhadores (CT) do INEM e o Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-hospitalar (STEPH) consideram que o dispositivo próprio do instituto vai perder uma centena de ambulâncias com as alterações pensadas na organização destes meios. “Classificamos categoricamente como falsa”, insiste o presidente do INEM agora em entrevista à RTP Antena 1.

A proposta causou desconforto entre as estruturas representativas e leva a uma assembleia extraordinária esta quinta-feira, que terá na agenda a análise da situação atual do INEM e das alterações, assim como ações a tomar. Luís Cabral afirma que está disponível para ouvir as duas entidades, mas a retórica de parte a parte segue extremada.

“Apenas aquilo que temos visto são críticas destrutivas”, afirma Luís Cabral à rádio pública, atirando que apresentam “posições radicais” e sem “a representatividade que advogam ter”. Mesmo assim, tenta abrir uma posição conciliadora ao referir que, “se qualquer uma das estruturas tiver uma crítica construtiva ou nos apontar um caminho diferente, teremos sempre, como tivemos até agora, capacidade de nos sentarmos, discutirmos, encontrarmos o melhor consenso para seguir o melhor caminho para o INEM”.
Também em declarações à RTP Antena 1, o coordenador da CT, Rui Gonçalves, falava de um “diálogo impossível” com a liderança do INEM. “Parece-nos que este Conselho Diretivo está a ser mais prejudicial a sua continuidade do que manter-se", refere. E sugere que a ministra da Saúde avalie a permanência de Cabral, até porque, aponta, “poderá ser aqui um sinal também por parte do Governo” não estar ainda nomeado no cargo quando a lei orgânica já está em vigor em agosto. Sobre isto, Luís Cabral afirma que cabe ao Governo decidir se continua à frente do instituto.

Até lá, em gestão corrente, mostra-se disponível e focado no trabalho. “Cá estarei o tempo que for necessário para garantir que esta reestruturação é aplicada”, diz, acrescentando que não se pode substituir ao Ministério da Saúde ou ao Governo “numa decisão que não é minha”.
Apesar do diálogo difícil entre os dois lados, Luís Cabral insiste na disponibilidade em ouvir as propostas que possam vir da CT e do STEPH. “Não iremos desistir” das reformas em curso, avisa.
O presidente do INEM aguarda ainda a decisão da Assembleia da República sobre a apreciação parlamentar pedida por Livre, PCP e Bloco de Esquerda sobre a nova lei. “Espero que o Parlamento tome as melhores decisões para o país”, aponta, não deixando de visar os partidos que apresentaram a proposta numa “certa manipulação partidária relativamente àquilo que são estas intenções de reformulação e refundação do próprio INEM”.
Entrevista completa de Luís Cabral ao jornalista Gonçalo Costa Martins
Comissão de Trabalhadores admite protestos

CT e STEPH têm falado da perda de uma centena de ambulâncias do dispositivo próprio do INEM, em que 54 ambulâncias de emergências médicas são entregues às Unidades Locais de Saúde (ULS) e 46 ambulâncias de Suporte Imediato de Vida (SIV) passam a viaturas ligeiras. Considera que estas alterações levam à perda de capacidade de transporte de doentes e sobrecarregam os bombeiros e a Cruz Vermelha.

Quanto à mudança das SIV, o dirigente do INEM defende que é uma forma de trazer rapidez ao socorro. “Nós vamos ter em 90% das situações uma maior disponibilidade de meios e vamos, em muitas circunstâncias, ter o meio disponível mais cedo para acorrer a outras situações onde possa ser necessário”, explica. Isto porque nos seis primeiros meses deste ano em 90% das situações foram enviadas duas ambulâncias com capacidade de transporte para um único doente, afirma. Sobre esta matéria, Rui Gonçalves, da CT, considera que “é discutível se é benéfico ou não”, afirmando que não foi feita essa discussão.

Luís Cabral fala ainda de 40 ambulâncias que passariam para as ULS - e não 54, porque “não podemos estar a contar com as ambulâncias que o INEM já teve abertas”, justifica - que passariam a estar organizadas numa lógica de bases hospitalares.

Rui Gonçalves, coordenador da CT, diz que não ficaram tranquilos desde que a proposta foi conhecida no mês passado. Afirma que, em entrevista à SIC Notícias no início de agosto, o presidente do INEM confirmou que as ambulâncias do INEM ficarão dedicadas ao transporte de doentes entre hospitais, e não no dispositivo pré-hospitalar. Perante a assembleia que vai acontecer às 14h30 desta quinta-feira, Rui Gonçalves admite “qualquer forma de protesto válida”.
Rui Lázaro, do STEPH, já tinha afirmado, em entrevista à RTP, que poderia avançar com manifestações e greves por causa das alterações que têm vindo a ser feitas no INEM.
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