Navio português andou três dias à deriva e afundou-se na madrugada de terça-feira
Braga, 29 Jan (Lusa) - O navio português "Braga", que foi evacuado sexta-feira após ter sido detectada uma fenda no casco, acabou por se afundar na madrugada de terça ao largo da Costa da Galiza, onde se encontrava à deriva, disse hoje à Lusa fonte da capitania da Corunha, Espanha.
A informação foi confirmada pela Lusa junto da empresa proprietária do cargueiro, a Naveira-Transportes Marítimos, SA.
"O barco manteve-se três dias a flutuar mas acabou por adornar e afundar-se, sem que houvesse hipótese de o rebocar", revelou fonte da empresa.
A embarcação sofreu um rombo no casco, quando se encontrava a 70 milhas da costa galega, na zona da província da Corunha, o que obrigou ao salvamento dos seus seis tripulantes, um dos quais, o comandante - de nacionalidade portuguesa - morreu na altura em que estava a ser resgatado de helicóptero.
O responsável pela tripulação foi vítima de um ataque cardíaco antes de chegar ao aeroporto, onde seria recolhido por uma ambulância. Os outros cinco membros da tripulação - um português, dois cabo-verdianos e dois russos - foram transportados para o Complexo Hospitalar Universitário da Corunha.
Segundo as autoridades da Galiza, o «Braga» - um cargueiro de 89 metros de comprimento que transportava trigo desde La Palisse, França, para Matosinhos, andou três dias à deriva a 77 milhas a noroeste da cidade da Corunha, tendo uma inclinação de 30 graus devido à água que, entretanto, entrou no porão.
Próximo do navio estava um avião do Salvamento Marítimo e um rebocador da empresa espanhola Reborcanosa para tentar recuperar o cargueiro.
O afundamento do navio foi, também, seguido pelo armador e pelas autoridades marítimas através de satélite, com recurso, entre outros meios tecnológicos, ao sistema «Google Earth».
Uma outra fonte disse à Lusa que o elevado custo do reboque do navio terá impedido a operação, tese negada pela firma Naveiro que garante que "um rebocador esteve sempre perto do navio".
Sustentou também que "com as más condições meteorológicas dos últimos dias o reboque do barco se tornou inviável, sendo o afundamento inevitável".
A firma Naveiro, SA, com sede no Estoril, tem 12 navios, operando preferencialmente entre Portugal, a zona do Mediterrâneo e o Norte da Europa.
Tem cerca de 90 funcionários entre pessoal de terra e tripulações, seis pessoas em média por cada navio.
O cargueiro "Braga", construído na Figueira da Foz, era um barco do tipo "short-sea", com 89 metros de comprimento, características que lhe permitiam navegar quer no mar, quer em rios como o Douro, já que podia passar as eclusas. Podia transportar contentores ou carga a granel.
Embora os proprietários se recusem a avançar qual o prejuízo resultante do afundamento, sabe-se que a construção do barco terá custado entre cinco a seis milhões de euros.
A empresa garante que o navio tinha os vários seguros, previstos na lei, nomeadamente o de casco e equipamento, o de carga e o "P&Y", que financia a remoção dos destroços em caso de naufrágio ou os prejuízos que venha a causar, em termos ambientais ou outros.