No Barreiro poluição automóvel acelera sintomas de doenças respiratórias
O trânsito automóvel é a principal fonte de poluição atmosférica na cidade do Barreiro e acelera o aparecimento de sintomas de doenças respiratórias nas crianças, conclui um estudo preliminar da Escola Superior de Tecnologia de Setúbal.
As investigações, em curso desde 2003, deverão estar terminadas em Abril do próximo ano e incidem sobre os efeitos de diversos poluentes na qualidade do ar da cidade e na saúde humana, em particular das crianças, e têm em conta as condições climatéricas e outros factores que possam dispersar os poluentes e doenças respiratórias.
Em declarações à Lusa, Luís Coelho, coordenador do estudo, disse que as primeiras conclusões indicam que "o tráfego automóvel é o agente poluidor mais importante no Barreiro e acelera o aparecimento de sintomas de doenças respiratórias em populações de risco, como as crianças".
Segundo o docente, o estudo permitiu verificar que, quando "existem níveis mais elevados de monóxido de carbono e óxidos de azoto" (poluentes libertados pelos escapes dos automóveis) e humidade relativa (sobretudo durante o Inverno) no ar, "há maior número de ocorrências de crianças no hospital com problemas respiratórios, como a tosse".
Luís Coelho ressalvou que, apesar dos impactes negativos gerados na qualidade do ar e na saúde das crianças, os níveis de poluição atmosférica "não ultrapassaram os limites legais".
O estudo detectou ainda "índices de qualidade do ar fracos" associados à libertação de partículas finas resultantes da actividade de indústrias.
Contudo, de acordo com o investigador, "os dados ainda não permitem tirar conclusões sobre os efeitos desses poluentes na saúde pública".
Desenvolvido com o apoio financeiro da Fundação para a Ciência e Tecnologia e de fundos comunitários, o estudo cruzou estatísticas do serviço de urgências pediátricas do Hospital Nossa Senhora do Rosário com os resultados de mediações da qualidade do ar efectuadas nas ruas e no interior de edifícios.
As investigações têm financiamento garantido até meados de 2007, mas Luís Coelho gostaria de continuá-las depois dessa data, já que, frisa, "tem de haver uma actualização dos dados de tráfego, das fontes de emissão de poluentes".
Por outro lado, o investigador pretende que o estudo venha a abranger a cidade de Setúbal e outras populações alvo, como adultos e crianças com doenças respiratórias crónicas.