No caso da droga na Venezuela Maria Margarida da Silva Mendes é a principal indiciada
A portuguesa Maria Margarida da Silva Mendes é a principal indiciada no caso de tráfico de droga que envolveu a tripulação da Air Luxor na Venezuela, sendo mesmo suspeita de ser "cabecilha" de uma rede internacional luso-sul- americana.
Maria Margarida da Silva Mendes é indiciada do "tráfico ilícito de substâncias estupefacientes e psicotrópicas na modalidade de transporte e outras" tal como Luís Fernando Silva Mendes, co-piloto da Air Luxor, até agora identificado pelo seu advogado, António Pinto Pereira, e pela companhia aérea como Luís Santos.
Além de Maria Margarida Silva Mendes e Luís Fernando Silva Mendes, dos quais não foi possível estabelecer se existe um grau de parentesco, estão ainda detidas na Venezuela e indiciadas pelo mesmo crime Maria Virgínia Pinto Cidadão Passos e Maria Antonieta Parreira Soares Amaral Liz.
Segundo o juiz Juan Fernando Contrera, que ordenou a detenção dos suspeitos, Maria Margarida da Silva Mendes é a principal indiciada do processo "por ter contratado por 24 horas um avião muito caro, que custa 5.000 euros por hora".
De acordo com a mesma fonte, as autoridades venezuelanas suspeitam que Maria Margarida da Silva poderá ser a "cabecilha" de uma rede internacional de droga luso-sul-americana.
A advogada Maria Virgínia Pinto Cidadão Passos consta no processo por "acompanhar constantemente" a principal indiciada, "verificar todos os seus documentos de negócios e assessorá-la".
A terceira passageira, Maria Antonieta Parreira Soares Amaral Liz, é passível de ser condenada a uma pena de prisão menor ou sair em liberdade, na fase final do processo, uma vez que segundo declarou em tribunal, foi convidada pela advogada a fazer a viagem por sofrer de tendências depressivas.
Ramón Gregório Rodríguez Hernández, William Simón Feidz Altuvez, Miguel Ángel Sanchez Perez, Leonardo Manuel Oyoque, Jaikel Yumil Guedez, Benito Alexander Escobar Quijada, são os outros detidos indiciados de tráfico de droga.
Todos os indiciados arriscam uma pensa de prisão entre os 10 e os 30 anos.
As primeiras suspeitas do comandante da aeronave surgiram durante a viagem para Caracas, quando, em conversa com Maria Margarida da Silva Mendes, foi informado de que aquela cidadã "tem vários investimentos em petróleo e casas pré-fabricadas na Venezuela e que vai buscar umas malas com dólares".
O comandante terá notificado a Air Luxor em Lisboa, de quem recebeu a advertência que qualquer transporte de valores teria que estar acompanhado por uma declaração dos serviços alfandegários.
As autoridades venezuelanas procuram ainda uma mulher de nacionalidade espanhola, cujo nome não foi revelado, que estaria hospedada no Hotel Intercontinental Tamanaco, onde ficaram hospedados todos os suspeitos.
Também é procurado um homem (Carlos, nome por que era conhecido), de aparência latina e funcionário da Universal, uma empresa especializada em serviço de atenção à tripulação de aviões.
A cidadã espanhola deveria "apanhar boleia até Las Palmas (Canárias)" no avião da Air Luxor e foi contactada pela última vez no hotel, quando se preparavam para viajar.
Por falta de espaço no transporte para o aeroporto chamou um táxi, que nunca mais foi visto, de acordo com os depoimentos de todos os intervenientes.
A hospedeira, Cláudia Raquel Neves dos Santos, referiu ter visto dois rapazes com um "carro de transporte (manual) de malas" e avisou o co-piloto que "um deles lhe perguntou se podia fechar a bagageira, ao que lhe respondeu que deixasse isso assim".
Segundo o juiz, a versão de Luís Fernando Silva Mendes (conhecido até agora por Luís Santos) tem "algumas imprecisões" em relação à da hospedeira.
"Confirma que houve a pergunta da hospedeira, mas agrega que o comandante faria posteriormente uma inspecção antes de fechar" o porão onde se encontravam as malas em que foram localizados os 386,4 quilos de cocaína, indicou a mesma fonte.
Segundo o magistrado, as declarações de Luís Mendes e Raquel Santos coincidem na altura em que "o co-piloto abriu as portas e começou a inspecção prévia ao voo, ligou as luzes e o computador, tentou saber as condições climatéricas e iniciou o plano de voo".
A prisão preventiva do co-piloto deve-se, segundo o juiz, à elevada quantidade de droga apreendida, às imprecisões existentes, ao facto de estar dentro da aeronave quando as malas lá foram colocadas e à possibilidade de fuga do país em caso de ser posto em liberdade.
O juiz explicou que a libertação do último tripulante não está relacionada com a retenção do avião Citation X, que pode ser devolvido ao finalizar o julgamento ou confiscado definitivamente pelas autoridades venezuelanas caso existam indícios de que os proprietários tinham conhecimento da carga ilícita que transportava.
A mesma fonte chamou a atenção para o facto de a legislação venezuelana permitir a confiscação sem retorno das aeronaves e outro equipamento usado para transportar droga.
Por outro lado um oficial da Guarda Nacional confirma que "quando se dispunha a fazer uma inspecção de rotina, pelas 3:00 do sábado 24 de Outubro (08:00 em Lisboa) foi informado" pelo comandante da existência de uma mala com conteúdo estranho e sem documentos alfandegários.
As malas foram localizadas pelo comandante depois de assinar os papéis comprovativos da prestação de serviços aos tripulantes pela empresa Universal, ao aperceber-se que algo limitava a visibilidade e impedia que o porão fosse fechado.
Segundo duas testemunhas, as malas foram colocadas pelos rapazes referidos pela hospedeira, que se encontram detidos e a aguardar julgamento.
O juiz disse desconhecer quaisquer relatórios sobre escutas telefónicas realizadas pela Polícia Judiciária em Portugal a qualquer um dos suspeitos.