Nomeação de nova procuradora pode atrasar investigação - admite PJ/Porto
Porto, 13 Dez (Lusa) - A PJ/Porto admite que a nomeação de uma nova procuradora para supervisionar os recentes homicídios de pessoas ligadas à noite vai atrasar as investigações.
"Se não for por mais, porque a nova procuradora vai ter de se inteirar de tudo o que já sabia o anterior responsável", disse à Lusa uma fonte da directoria da PJ do Porto.
O Procurador-Geral da República (PGR), Pinto Monteiro, nomeou quarta-feira a procuradora Maria Helena Fazenda para dirigir e coordenar a investigação de todos os inquéritos relacionados com os homicídios e "alta violência contra pessoas" na noite portuense.
Maria Helena Fazenda, do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), será coadjuvada por uma equipa de cerca de dez elementos, a qual será integrada por magistrados do Ministério Público e por elementos da Polícia Judiciária, da PSP e da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE).
Para já, a PJ/Porto mantém a mesma equipa de investigação daqueles casos, na perspectiva de poder deslindar a sequência de assassinatos de pessoas ligadas à noite do Porto.
A fonte contactada pela Lusa não quis assumir se haverá detenções em breve, preferindo recordar afirmações recentes do director nacional da PJ, Alípio Ribeiro, que apontavam para isso.
Hoje mesmo, em entrevista ao Diário Económico, Alípio Ribeiro refere-se a esta investigação, afirmando que não basta encontrar os autores dos homicídios, mas sim "acabar com as causas que os permitem".
O director da PJ/Porto, Vítor Guimarães, com quem a Lusa tentou falar hoje de manhã, mantinha o seu telemóvel desligado.
Um inspector, envolvido na investigação de alguns homicídios mais marcantes no Norte, considerou "vergonhosa" a decisão de Pinto Monteiro de atribuir a uma procuradora de Lisboa o controlo das investigações sobre os homicídios do Porto.
"Não temos nada que aprender com Lisboa, podemos até ensinar", salientou o inspector, que recordou "êxitos" da PJ do Porto na descoberta de casos como o dos "ninjas" ou da Prosegur.
O inspector relevou, no entanto, que a decisão é particularmente lesiva para o Ministério Público do Porto.
"Se eu estivesse no lugar deles, demitia-me", afirmou.
A Lusa contactou o Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) do Porto para obter uma reacção à nomeação da procuradora Maria Helena Fazenda. Na ausência da principal responsável - a procuradora Hortênsia Calçada - o seu adjunto, Almeida Pereira, não quis fazer quaisquer comentários.
"Não nos compete comentar decisões do senhor Procurador-Geral da República", disse o adjunto da juíza Hortênsia Calçada.
Um segurança foi assassinado ao final da noite de domingo em Gaia, sendo, segundo fonte policial, o mesmo homem que acompanhava o empresário da noite Aurélio Palha, morto a tiro no final de Agosto, no Porto.
O crime de domingo à noite, em Gaia, ocorreu doze dias depois de um outro segurança ter sido abatido na zona ribeirinha da Alfândega.
Entre os seis assassínios ocorridos no Grande Porto nos últimos seis meses, o caso mais mediático foi o do empresário Aurélio Palha, dono da discoteca "Chic", abatido a tiro a partir de um carro em andamento.
Quando foi morto, Aurélio Palha estava a conversar, de madrugada, com Berto (o segurança que foi assassinado domingo à noite).
JGJ.