País
Nova advogada do Sócrates deixa a defesa do ex-primeiro-ministro
Sara Leitão Moreira anunciou em tribunal que não tem condições para representar o arguido porque não lhe foi dado tempo para conhecer o processo. A renuncia tem efeitos imediatos.
O julgamento do processo Operação Marquês tinha sido suspenso por dez dias e foi retomado esta terça-feira, com a primeira sessão com a nova advogada.
Sara Leitão Moreira justificou a decisão com o facto de não lhe ter sido dado tempo suficiente pelo tribunal para preparar a defesa do chefe de Governo entre 2005 e 2011.
Questionada pelos jornalistas sobre o que conseguiu ler do processo nos últimos dias, a advogada respodeu: "Muita coisa, mas ao mesmo tempo nada que seja relevante na monstruosidade que é este processo".
Na sequência da renúncia, o tribunal ordenou a nomeação de um advogado oficioso para que o julgamento prossiga, tendo a sessão de hoje sido interrompida por alguns minutos para que este seja chamado.
No requerimento de renúncia, a advogada reforça que o prazo concedido para preparar a defesa era "manifestamente insuficiente".
Sara Leitão Moreira sucedeu na defesa do antigo primeiro-ministro a João Araújo, falecido em 2020, e a Pedro Delille e a José Preto, que renunciaram ao mandato em, respetivamente, 4 de novembro de 2025 e 13 de janeiro de 2026, com o julgamento, iniciado em 3 de julho de 2025, a decorrer.
Sara Leitão Moreira refere que tem "competência e disponibilidade" para se inteirar do processo, mas perante os prazos reduzidos considera que "está a ser coartado o seu direito a exercer condignamente a sua profissão".
Destaca a dimensão do processo em causa mas também a obrigatoriedade de ouvir "as oitenta e nove sessões de julgamento já realizadas".
"Nestes dez dias, não obstante a imersão nos autos, em jeito quase exclusivo - para alem do cumprimentos de obrigações familiares e de Coimbra ter sido fortemente fustigada pelas tempestades das semanas transactas - FOI IMPOSSÍVEL ter conhecimento directo daquelas sessões o que se impunha e o Tribunal não o poderia ignorar", lê-se ainda no documento.
"Nestes dez dias, não obstante a imersão nos autos, em jeito quase exclusivo - para alem do cumprimentos de obrigações familiares e de Coimbra ter sido fortemente fustigada pelas tempestades das semanas transactas - FOI IMPOSSÍVEL ter conhecimento directo daquelas sessões o que se impunha e o Tribunal não o poderia ignorar", lê-se ainda no documento.
Acrescenta que poderia "incorrer num crime de prevaricação de Advogada, dado que estarei a prejudicar deliberadamente o meu constituinte", justificou.
José Sócrates, de 68 anos, está pronunciado (acusado após instrução) de 22 crimes, incluindo três de corrupção, por ter, alegadamente, recebido dinheiro para beneficiar o grupo Lena, o Grupo Espírito Santo (GES) e o `resort` algarvio de Vale do Lobo.
No total, o processo conta com 21 arguidos, que têm, em geral, negado a prática dos 117 crimes económico-financeiros que globalmente lhes são imputados.
Os ilícitos terão sido praticados entre 2005 e 2014 e, no primeiro semestre deste ano, podem prescrever, segundo o tribunal, os crimes de corrupção mais antigos, relacionados com Vale do Lobo.
José Sócrates, de 68 anos, está pronunciado (acusado após instrução) de 22 crimes, incluindo três de corrupção, por ter, alegadamente, recebido dinheiro para beneficiar o grupo Lena, o Grupo Espírito Santo (GES) e o `resort` algarvio de Vale do Lobo.
No total, o processo conta com 21 arguidos, que têm, em geral, negado a prática dos 117 crimes económico-financeiros que globalmente lhes são imputados.
Os ilícitos terão sido praticados entre 2005 e 2014 e, no primeiro semestre deste ano, podem prescrever, segundo o tribunal, os crimes de corrupção mais antigos, relacionados com Vale do Lobo.
(com Lusa)