Nova estrutura em Vila Nova de Cerveira aumenta capacidade de acolhimento de crianças em risco

Uma casa com capacidade para acolher cinco crianças e jovens em risco deverá abrir em Setembro em Vila Nova de Cerveira, colmatando uma lacuna até agora verificada no concelho, foi hoje anunciado.

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A informação foi avançada à Lusa por Liliana Castro, responsável do projecto de inclusão social denominado ASA (Apoio, Serviços e Animação), tendo acrescentado que apenas faltam "pequenos pormenores" para que a casa entre em funcionamento.

Denominada "Casa dos Cangurus", a estrutura albergará crianças que sejam retiradas às famílias e também desenvolverá um trabalho com os respectivos pais, tentando criar as condições para que os filhos possam regressar a casa num contexto de harmonia e segurança.

Simultaneamente, o projecto ASA desenvolve, no terreno, o Serviço Escuta para detectar situações de maus-tratos sobre crianças e jovens ou de qualquer violência doméstica.

Em Vila Nova de Cerveira, segundo fonte da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em Risco do concelho, há actualmente cerca de 50 menores sinalizados, sendo o alcoolismo a problemática mais prevalecente.

"De resto, há também muitos casos de negligência a nível da alimentação, de cuidados básicos de higiene e de educação", acrescentou a fonte, sublinhando, no entanto, que uma boa parte dos menores sinalizados não necessita de institucionalização.

Segundo números adiantados, em Abril, à Lusa pela Segurança Social, o distrito de Viana do Castelo contava com 911 menores sinalizados.

O concelho com mais casos era o de Viana do Castelo (320), seguindo-se Ponte de Lima (150), Monção (77), Ponte da Barca (72), Vila Nova de Cerveira (56), Paredes de Coura (54), Arcos de Valdevez (53), Caminha (51), Melgaço (48) e Valença (30).

No distrito existem seis instituições com centros de acolhimento temporário de menores, cuja lotação "está completamente esgotada".

Ao abrigo de acordos com a Segurança Social, naquelas seis instituições estão colocados 210 menores, repartidos pela Casa dos Rapazes (33), Lar de Santa Teresa (55), santas casas da Misericórdia de Arcos de Valdevez e Ponte de Lima (45 e 53, respectivamente), Berço da Paróquia de Nossa de Fátima (12) e projecto Benjamim (também 12).

Além disso, o distrito de Viana do Castelo conta também com 129 famílias de acolhimento de menores, que "abrigam" 190 crianças e jovens em risco.

"Na questão da institucionalização, o distrito não consegue dar resposta às necessidades. Os lares de acolhimento estão superlotados e somos muitas vezes obrigados a recorrer a outros distritos", admitiu fonte da Segurança Social de Viana do Castelo.

Ainda este ano, a capacidade do "Berço" da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, em Viana do Castelo, que actualmente é de 12 utentes, deverá ser duplicada com a inauguração de uma casa nova, em fase final de construção.

"Temos a lotação sempre esgotada e, por isso, decidimos construir uma casa nova, de raiz, num investimento de cerca de 900 mil euros", disse à Lusa o pároco de Nossa Senhora de Fátima.

Segundo o padre Artur Coutinho, o edifício "está pronto", faltando apenas resolver o problema dos acessos.


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