Nova lei do tabaco vai aumentar conflitos

Nova lei do tabaco vai aumentar conflitos

O reforço da fiscalização sobre quem fuma em zonas proibidas, o afastamento da clientela e novos conflitos são as principais preocupações dos proprietários de bares, discotecas e restaurantes com a lei que vai proibir o fumo nestes locais.

Agência LUSA /
O fumo nos restaurantes, discotecas e bares com menos de 100 metros quadrados vai ser proibido, anunciou o ministro da Saúde RTP

Os responsáveis contactados pela agência Lusa contestam a lei aprovada hoje em Conselho de Ministros - que proíbe o fumo naqueles estabelecimentos com menos de 100 metros quadrados - e defendem que o fumo deveria continuar a ser permitido em alguns estabelecimentos, estabelecendo-se a proibição para outros.

"Deveríamos seguir a lei espanhola", que permite aos clientes optar por estabelecimentos com ou sem fumo, defendeu Francisco Tadeu, director executivo da Associação Nacional de Discotecas.

A opinião é partilhada por Paulo Dâmaso, administrador do grupo K, que detém as discotecas Kremlin e Kapital, em Lisboa, e o restaurante Kasablanca: "Isto é mais uma machadada no negócio, deviam dar a possibilidade de alguns restaurantes e bares optarem por acolher fumadores".

Paulo Dâmaso classificou de "perseguição" o diploma hoje aprovado pelo Governo - e que aguarda aprovação pela Assembleia da República -, defendendo ser "mais lógico" continuarem a existir "alguns" bares, discotecas e restaurantes para fumadores.

"Isto vai ser mais um ponto de conflito. Como é que vamos proibir alguém de fumar dentro de um estabelecimento se a pessoa se recusar. Chamamos a polícia?", questionou o empresário.

O administrador do grupo K. salientou que os estabelecimentos que administra têm extractores de fumo e que o fumo é "imediatamente extraído", razão porque considera a futura lei "uma perseguição aos direitos dos fumadores".

Também quanto às consequências que o diploma vai ter no negócio, Paulo Dâmaso diz ser "evidente" que vai provocar uma quebra na clientela e um aumento dos custos.

"Nem que seja pelo pessoal, que vai ter de ser reforçado para controlar quem está a fumar em locais proibidos. E já nem falo da complicação que vai ser adaptarmo-nos à nova lei", comentou.

O director executivo da associação de discotecas, Francisco Tadeu, confirmou as dificuldades de fiscalizar um espaço onde se aglomera grande quantidade de pessoas e disse temer que os clientes se refugiem nas casas de banho e estas se transformem em salas de fumo.

Francisco Tadeu considerou graves as consequências do diploma para o negócio: "Quem vai para uma discoteca sabe para o que vai.

Muitas pessoas vão para passar o seu tempo, beber o seu copo e fumar o seu cigarro. Para quem tem o vício de fumar, atrás de um copo vem sempre um cigarro".

O representante das discotecas disse ainda que as discotecas vão ter "dificuldades para se adaptarem" e defendeu que a futura lei só deveria ser aplicada aos novos estabelecimentos, criando assim espaços para fumadores e não fumadores.

A ARESP - Associação da Restauração e Similares de Portugal, contactada pela Lusa, remeteu para mais tarde quaisquer comentários sobre a nova lei do tabaco.

"Não reagimos enquanto não tivermos acesso ao diploma. Até lá não temos uma posição definida", afirmou Paula Amador, da ARESP, associação que foi consultada pelo Governo na elaboração deste diploma.

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