Nova versão da lei das Finanças Locais contempla Fundo de Regularização Municipal
O Governo admitiu hoje criar um Fundo de Regularização Municipal que servirá exclusivamente para regularizar situações de ruptura financeira em qualquer município, acatando assim uma proposta da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP).
Em declarações aos jornalistas no final de uma reunião com a ANMP para acertar os últimos detalhes da nova lei de finanças locais, o ministro de Estado e da Administração Interna, António Costa, explicou que na primeira versão da lei as verbas agora destinadas a esse fundo eram retidas pelo Estado.
A medida relaciona-se com uma das inovações desta lei, que prevê a retenção de parte das transferências para um município que no ano anterior tenha excedido os limites de endividamento.
"Na primeira versão, esse montante retido revertia para o Estado. Actualmente o montante retido é consolidado num Fundo de Regularização Municipal que serve exclusivamente para regularizar situações de ruptura financeira em qualquer município", explicou o ministro.
O Governo está a preparar a última versão da lei de finanças locais que segue para aprovação em Conselho de Ministros quinta-feira, após receber hoje as últimas sugestões das associações de municípios e freguesias.
O diploma será posteriormente remetido à Assembleia da República, seguindo-se o debate parlamentar, disse hoje António Costa.
A revisão da lei tem estado a ser debatida desde Junho com as associações de municípios e freguesias e já sofreu alterações desde a proposta inicial.
O ministro afirmou hoje que estão a ser avaliadas as últimas sugestões da associação que possam ser introduzidas na lei.
António Costa reafirmou que está assegurada a neutralidade orçamental, o que significa que no próximo ano as autarquias não vão receber menos dinheiro, nem mais.
Nesta matéria houve também uma evolução, uma vez que na primeira versão do documento a transferência de verbas do Estado para o Fundo de Equilíbrio Financeiro (FEF) correspondia a 25 por cento da média aritmética da receita de IRS, IRC e IVA. Agora essa percentagem passa a ser de 25,3 por cento.
"Ao longo deste mês e tal que temos estado a trabalhar com a ANMP tem sido possível esclarecer dúvidas e aproximar posições no que é essencial, que é termos uma lei que consagre maior autonomia, maior responsabilidade e maior rigor financeiro nas relações do Estado e das autarquias", considerou o ministro.
No final da reunião, o presidente da ANMP, Fernando Ruas, reconheceu que houve evoluções ao longo das conversações, mas considerou que a proposta agora apresentada ainda fica "muito aquém" das expectativas dos municípios.
Fernando Ruas preferiu não se alongar nos comentários por ainda não conhecer a proposta final.
Depois da ANMP, seguiu-se uma reunião com os responsáveis da Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE), presidida por Armando Vieira.