Novas instalações Centro Multicultural Formação inauguradas em Benfica
A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa inaugurou hoje em Benfica as novas instalações de um centro de formação destinado a jovens que abandonaram a escola e anunciou a abertura de um novo curso.
"Com estas novas instalações, abre-se o curso de Pastelaria e aumenta-se de 85 para 100 o número de alunos", disse o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Rui Cunha, aos jornalistas.
A funcionar num espaço cedido pela Câmara de Lisboa e requalificado pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, o Centro Multicultural de Formação recebe também o Programa de Promoção Social dos Ciganos.
Além da formação profissional em Pastelaria, o Centro tem também cursos de Cozinha, Carpintaria e Costura, leccionando em paralelo aulas do 1º, 2º e 3º Ciclos, que são obrigatórias.
Aquele espaço recebe alunos dos 13 aos 18 anos que abandonaram a escola e, além das oficinas para os cursos profissionais, dispõe ainda de três salas de aulas, uma sala de trabalhos dinâmicos em grupo, uma sala de psicologia, uma biblioteca e uma sala de professores.
"Podemos dizer que este projecto de reinserção, no qual recebemos crianças e jovens que abandonaram a escola, resulta de uma parceria entre o Ministério da Educação, a Câmara Municipal de Lisboa e a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa", afirmou Rui Cunha.
O responsável indicou ainda que a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa "tem acordos com empresas, onde os formandos vão fazer estágios e, normalmente, ficam com eles".
"É gratificante sabermos que eles, ao entrarem no mundo do trabalho, se adaptam bem e são rentáveis", acrescentou Rui Cunha.
Os alunos que chegam ao Centro Multicultural de Formação vão por iniciativa própria, através de uma inscrição que fazem na Santa Casa da Misericórdia, ou são encaminhados através do Tribunal de Menores, das escolas que identificam casos mais problemáticos e da comissão de protecção de crianças e jovens, entre outros.
"Neste momento, temos uma lista de espera de cerca de 100 jovens", disse Carla Coelho, coordenadora do projecto.
A responsável garantiu que os formandos "têm tido uma boa inserção no mercado de trabalho", mas não sabe precisar quantos alunos já foram formados pelo Centro, que existe há cerca de 20 anos, afirmando que foram "muitas centenas".
Há ainda a registar uma pequena taxa de abandono do curso por dificuldades de adaptação ou por motivos familiares, especialmente na etnia cigana, já que os jovens casam cedo e abandonam a escola, explicou Carla Coelho.
Inicialmente concebido para a comunidade cigana, este projecto alargou-se a outras comunidades, dada a falta de respostas por parte de outras instituições.
"Temos uma relação de confiança muito grande com a etnia cigana, ao ponto de termos recebido filhos de formandos ciganos", disse a coordenadora.
Hoje, o Centro Multicultural de Formação tem alunos provenientes de Angola, Guiné-Bissau e Cabo-Verde, além dos de etnia cigana e de Portugal.
A carpintaria é o curso mais procurado pelos rapazes, enquanto a costura é o preferido das raparigas, especialmente das de etnia cigana.
É o caso de Neusa, de 14 anos, que entrou para o Centro Multicultural de Formação há três meses, depois de os pais não a terem deixado seguir a escola pública.
"A minha mãe não me deixa andar na escola por causa da cultura cigana, mas deixou-me vir para o Centro quando uma amiga dela lhe falou nele", explicou a jovem à Agência Lusa.
A frequentar o quarto ano lectivo, Neusa optou pelo curso de costura por gosto.
"Não queria outra profissão. Quero continuar e aprender costura", disse a jovem, sublinhando a satisfação pela criação do projecto Casa Multicultural de Formação.
"Acho que fizeram bem em criar este espaço porque ajuda os jovens a terem uma profissão", afirmou.