Nove em cada dez pontes em bom estado de conservação

Nove em cada dez pontes estão em bom ou muito bom estado de conservação, revela um relatório da Infraestruturas de Portugal sobre uma inspeção realizada em 2015. O documento foi divulgado na véspera do dia em que se assinala 15 anos da queda da ponte Hintze Ribeiro, que ligava Entre-os-Rios a Castelo de Paiva, que provocou 59 mortos.

Cristina Sambado - RTP /
Assinalam-se esta sexta-feira os 15 anos da derrocada da ponte de Entre-os-Rios que provocou 59 mortos Reuters

Das 5.221 pontes e viadutos existentes em Portugal, apenas 14 estão a necessitar de uma intervenção a curto prazo.

“Classificamos as pontes em cinco níveis, o nível menos bom é o nível de intervenção no prazo de dois anos. Nesse nível de intervenção, temos neste momento apenas 1,8 por cento. Estamos a falar em 14 intervenções e todas elas estão neste momento em curso ou em programação”, afirmou António Ramalho, presidente da Infraestruturas de Portugal, à Antena 1.
Frederico Moreno - Antena 1
Os resultados da campanha inspetiva em 2015 revelam que 89,1 por cento das obras de arte (pontes, viadutos, túneis ou passagens hidráulicas) apresentam um estado de conservação considerado “bom ou superior”.

A melhoria destas estruturas tem vindo a acentuar-se consistentemente ao longo dos anos, sobretudo desde 2010, ano em que esta avaliação positiva se cifrava nos 7,9 por cento.

Segundo a Infraestruturas de Portugal, “atualmente não existe”, na rede rodoviária a seu cargo, “qualquer obra de arte em exploração cuja utilização esteja vedada por representar risco à segurança de pessoas e bens”.

“Podemos garantir a segurança das pontes e viadutos em Portugal, seguramente”, garantiu António Ramalho.
Investimento de 140 milhões
Nos últimos cinco anos, os investimentos feitos pela empresa ascendem aos 140 milhões de euros. Em 2015, a Infraestruturas de Portugal realizou 2.997 inspeções de rotina e 944 inspeções principais, de norte a sul do país, enquanto em 2010 os técnicos efetuaram 1.112 inspeções principais.

“O forte investimento efetuado nos últimos anos, nomeadamente em 2011 e 2012, com a realização de inspeções a todas as estruturas e a atempada definição de uma estratégia de intervenções devidamente programadas, contribuíram decisivamente para o incremento do nível de qualidade das estruturas em bom ou muito bom estado de conservação, resultando em otimização dos custos com investimento”, acrescenta o documento.
15 anos depois de Entre-os-Rios
O relatório da Infraestruturas de Portugal foi divulgado na véspera da data em que se assinala a queda da ponte Hintze Ribeiro, que ligava Entre-os-Rios a Castelo de Paiva.


Para o presidente da Infraestruturas de Portugal , “a maior homenagem que podemos fazer, passado estes 15 anos, é o trabalho que foi feito em relação à preservação do modelo de fiscalização, de controlo e de correção de todas as necessidades que existem ao nível das obras de arte”.

“Hoje a empresa detém um conhecimento aprofundado e permanente do estado de todas e cada uma das estruturas, que lhe permite garantir a boa gestão e conservação de todo o vasto património”, sublinha o relatório.
Familiares queixam-se de falta de apoio
Os familiares das vítimas da ponte de Entre-os-Rios queixam-se que o Estado não cumpriu a promessa ao ter acabado com o apoio psicológico.

“Recordo que apesar de todas as promessas, o psicólogo que existia no centro de saúde foi retirado, dois anos depois do acidente”, recordou o presidente da Associação dos Familiares das Vítimas da Tragédia de Entre-os-Rios em declarações à Lusa.

Augusto de Sousa lamenta que “o Estado se tenha demitido de uma responsabilidade que era sua”.
“O dever do Estado era manter um nível de saúde aos familiares. O Estado é que foi negligente”, acusou.
Segundo o presidente da Associação dos Familiares das Vítimas da Tragédia de Entre-os-Rios, “há famílias que ainda não tocaram nas indeminizações que lhes foram atribuídas”.

“A questão monetária foi ultrapassada. Há famílias que não mexeram no dinheiro que receberam das indemnizações. O Estado quis indemnizar rapidamente as famílias para, com isso, calar os familiares”.

Em janeiro de 2003, foi inaugurado o monumento de homenagem às vítimas, designado “Anjo de Portugal”.

“Muitos dos que não conseguiram fazer o luto e recorrem frequentemente ao anjo, como um local para chorar e confortar a dor pela perda desses familiares. Há pessoas que mantém determinados rituais que evidenciam que a dor permanece e que não se conseguiram libertar do ponto de vista psicológico dessa perda”, lamentou Augusto Sousa.
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