Novo Arcebispo de Évora preocupado com reduzido número de sacerdotes
Évora, 17 Fev (Lusa) - Numa "nova etapa" da sua vida religiosa, o novo Arcebispo de Évora, D. José Alves, que hoje tomou oficialmente posse, manifestou preocupações com a crise de vocações e em dar continuidade ao projecto do seu antecessor.
Apesar da chuva, que hoje regressou ao Alentejo e impediu a realização de um cortejo litúrgico pela acrópole da cidade, a Catedral eborense esteve repleta de fiéis para acompanhar a entrada solene de D. José Alves na Arquidiocese Metropolitana de Évora.
O Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, o porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Carlos Azevedo, e D. Ximenes Belo, Bispo Emérito de Dili e Nobel da Paz 1996, em conjunto com Ramos Horta, assistiram à celebração eucarística, a par de duas dezenas de bispos portugueses.
D. José Francisco Sanches Alves, que deixa a diocese de Portalegre-Castelo Branco, onde permaneceu durante quase quatro anos, substituiu D. Maurílio de Gouveia, que dirigiu a Arquidiocese de Évora ao longo de 26 anos e pediu a resignação do cargo por ter atingido o limite de idade canónico (75 anos).
Num regresso às suas origens religiosas e na mesma catedral onde foi ordenado presbítero, D. José Alves prometeu "dar continuidade ao projecto" do seu antecessor para o actual ano pastoral.
Além de dar prioridade pastoral à continuação do trabalho de D. Maurílio de Gouveia, à frente de uma das principais dioceses do país, D. José Alves garantiu ainda manter "assíduos contactos de colaboração pastoral" com D. António Vitalino (Baixo Alentejo) e D. Manuel Quintas (Faro), bispos da mesma Província Eclesiástica.
Em declarações aos jornalistas, antes de tomar lugar na cadeira episcopal e de receber o báculo, o novo prelado eborense manifestou também preocupações com o reduzido número de sacerdotes, apesar de apontar a existência de alternativas.
"Temos alternativas que vão ajudar-nos a superar esta crise de vocações. Para já temos diáconos permanentes e muitos mais leigos empenhados na vida da Igreja", disse aos jornalistas antes da celebração eucarística.
O novo prelado eborense já prometeu também que irá desenvolver uma "pastoral para a terceira idade", de modo a combater e minimizar os efeitos do envelhecimento da população.
"Os grandes desafios no Alentejo são os desafios do interior do país", em particular a "desertificação e envelhecimento da população", observou.
Natural de Lageosa (Sabugal, distrito da Guarda), D. José Sanches Alves tem 66 anos e durante quase 30 anos desempenhou várias funções e cargos na arquidiocese eborense, tendo sido reitor do Seminário Maior, coordenador diocesano da Pastoral, presidente do Cabido da catedral e vigário da diocese, entre 1988 e 1998.
No ano de 1998 recebeu a ordenação episcopal e foi nomeado bispo auxiliar de Lisboa, onde se manteve até 2004, tendo sido vigário-geral e moderador da Cúria.
Em Abril de 2004 foi nomeado titular da diocese de Portalegre-Castelo Branco e desde 2002 preside à Comissão Episcopal de Acção Social e Caritativa.
Enquanto não for nomeado um novo bispo para Portalegre-Castelo Branco, D. José Alves irá manter-se como administrador apostólico, ficando assim como o responsável pastoral de duas das maiores dioceses do país, quase 20 por cento do território nacional.
Após 26 anos à frente da Arquidiocese alentejana, D. Maurílio de Gouveia, Arcebispo Emérito de Évora, vai passar a residir no Seminário Menor de Vila Viçosa, "afastado do centro do poder" e onde se vai dedicar ao "silêncio, à oração e ao estudo".
MLM.
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