Novo organismo vai juntar Instituto do Sangue e Autoridade da Transplantação

Lisboa, 13 out (Lusa) - O Instituto Português do Sangue vai ser fundido com a Autoridade para os Serviços do Sangue e da Transplantação e os centros de Histocompatibilidade, sendo o novo organismo presidido por Hélder Trindade, disseram à Lusa fontes ligadas ao processo.

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Em declarações à Lusa, o presidente cessante do Instituto Português do Sangue (IPS), Álvaro Beleza, explicou que, até ao fim do mês, será criado o Instituto Português do Sangue e do Transplante, passando a integrar os serviços do Instituto Português do Sangue, da Autoridade para os Serviços de Sangue e da Transplantação (ASST) e os três centros de Histocompatibilidade - Porto, Coimbra e Lisboa.

Esta alteração deverá ser formalizada até ao final de outubro, com a publicação da lei orgânica do Ministério da Saúde.

Em meados de setembro, o Ministério da Saúde anunciou a extinção de oito dos atuais 24 organismos de âmbito nacional do Ministério, dos quais seis seriam alvo de fusão, incluindo-se nestes a ASST.

Antes, o presidente e a coordenadora nacional desta autoridade haviam pedido a demissão em protesto contra as intenções do ministro de Saúde de cortar as verbas neste setor - o Governo decidiu reduzir em 50 por cento os incentivos para a realização de transplantes.

Segundo Álvaro Beleza, a auditoria aos serviços de sangue e do transplante passará para a alçada do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), enquanto o novo instituto ficará responsável pela "gestão e toda a área do transplante de órgãos e dos laboratórios", explicou Álvaro Beleza.

Fontes ligadas ao processo adiantaram à Lusa que o novo instituto será presidido por Hélder Trindade, diretor do Centro de Histocompatibilidade do Sul e responsável do Registo Português de Dadores de Medula Óssea.

No mês passado, Álvaro Beleza solicitou ao Ministério da Saúde a sua substituição à frente daquele instituto público, de forma a poder assumir plenamente as suas funções como secretário nacional adjunto do PS, lugar para o qual foi convidado pelo secretário-geral socialista, António José Seguro.

Álvaro Beleza participa esta sexta-feira naquele que será o seu último ato oficial como presidente do IPS, na inauguração do centro regional de sangue de Coimbra.

De acordo com o Instituto do Sangue, este centro será o maior do país e o segundo maior da Península Ibérica, e ficará responsável pela realização de análises a 220 mil unidades de sangue por ano (52 por cento do total realizado em Portugal).

Coimbra e Porto passam a concentrar as análises, Lisboa fica com centro de plasmas e investigação

O centro de análises de Coimbra, que abre sexta-feira, será o maior do país e o segundo maior da Península Ibérica, responsável pela realização de análises a 220 mil unidades de sangue por ano, o que representa 52 por cento do total realizado no país.

"As análises do sangue vão ser realizadas apenas em Coimbra e no Porto. Estes serão os grandes laboratórios de análises, sendo que Coimbra vai fazer mais. Portugal fornece 400 mil unidades de sangue e o centro de Coimbra vai realizar 220 mil unidades, mais de metade do país", afirmou Álvaro Beleza, presidente cessante do IPS.

Mas as ambições para o centro de Coimbra são ainda maiores, segundo este responsável, que afirma que este centro "tem condições para fazer 70 por cento das análises".

Com este novo modelo de centralização, o sangue é recolhido e separado nos centros e depois será transportado diariamente de avião para o Porto e de automóvel para Coimbra, explicou.

Em Lisboa ficará o centro de plasma, uma vez que já tem a câmara de frio para armazenar este componente do sangue, um centro de investigação e os laboratórios de referência que trabalham para os hospitais, nomeadamente nos testes de controlo.

"Com este modelo concentra-se o que está disperso. Trata-se de uma reorganização interna que vai permitir poupar recursos humanos e materiais", afirmou Álvaro Beleza.

O atual presidente do IPS solicitou no mês passado a sua substituição à frente do instituto para poder integrar o secretariado nacional do PS, cargo para o qual foi convidado pelo secretário-geral socialista, António José Seguro.

A cerimónia de inauguração do centro de Coimbra será o seu último ato oficial como presidente do IPS.

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