Novos parques campismo destroem quase metade do Pinhal do Inglês

A transferência de quatro parques de campismo da orla marítima da Costa de Caparica para o Pinhal do Inglês, na Fonte da Telha, vai destruir quase metade daquela área protegida, segundo um Estudo de Impacte Ambiental (EIA).

Agência LUSA /

Em consulta pública desde o passado dia 07 e até 04 de Janeiro, o relatório-síntese do EIA do projecto revela que a construção dos novos parques associativos, no âmbito do programa Polis, vai provocar ainda incómodos junto dos moradores de uma urbanização nas imediações e o agravamento do trânsito nos acessos às praias da Fonte da Telha.

Como impactes positivos, o documento salienta a recuperação paisagística da frente marítima desocupada pelos parques e a melhoria das condições de segurança daqueles recintos.

De acordo com o relatório-síntese do EIA, que pode ser consultado no site oficial da CostaPolis, sociedade encarregue de executar o Polis da Costa de Caparica, a construção nas novas infra- estruturas turísticas vai implicar a desflorestação irreversível de 40 por cento da área total do pinhal, inserido na Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa de Caparica.

O documento sustenta que vão ser abatidos 8.394 pinheiros de um universo de 20.958 existentes nos cerca de 96 hectares de terreno privado.

Outro dos impactes negativos resultantes da obra é o "previsível aumento" do número de utentes/campistas nas praias da Fonte da Telha e das dificuldades nos acessos a esta zona balnear.

Com a entrada em funcionamento dos parques, que terão capacidade para 17.000 campistas, é esperado também, segundo o EIA, um "aumento da pressão humana nos habitats naturais e dunas existentes na envolvente do Pinhal do Inglês".

Ainda de acordo com o documento, a construção das novas infra- estruturas de lazer vai causar incómodos, em termos de ruídos e poeiras, aos moradores da urbanização da Aroeira, que confinará com os futuros recintos.

Entre as medidas apontadas para minimizar os impactes negativos, o EIA propõe um plano de gestão de obra, restrições no acesso às praias e a promoção do transporte público.

A acessibilidade aos novos parques deverá ser melhorada com a construção de uma estrada, em fase de estudo.

Justificando a opção da transferência dos quatro parques de campismo, enquadrada no Programa de Requalificação Urbana e Valorização Ambiental das Cidades (Polis) da Costa de Caparica e no Plano de Ordenamento da Orla Costeira (POOC) Sintra/Sado, o relatório- síntese do EIA assinala como impactes positivos a "recuperação paisagística" da frente de praia desocupada pelas velhas estruturas.

Apresenta ainda como benefício a construção de recintos "em conformidade com as exigências legais", designadamente em termos de segurança.

Entre as melhorias previstas para os quatro parques geridos por colectividades contam-se a redução em dez por cento da lotação de cada recinto e a construção de estacionamento exterior e arborizado para mais de 2.000 viaturas.

Durante a elaboração do Plano de Pormenor dos novos equipamentos, posteriormente aprovado em Conselho de Ministros, moradores da Aroeira e Charneca de Caparica, campistas e ambientalistas queixaram-se da destruição significativa de uma área arborizada protegida, do agravamento do trânsito local, da dimensão dos parques e da falta de acessos viários e transportes para os recintos e praias.

Integrado na Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa de Caparica, o Pinhal do Inglês está definido no Plano Director Municipal de Almada, documento de gestão do território concelhio, como zona de vocação turística.

O EIA pode ser consultado no Instituto do Ambiente, Câmara de Almada, Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo, Posto de Informação da CostaPolis e no site www.costapolis.pt.

A sociedade CostaPolis tem capitais do Estado e da Câmara de Almada.

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