Número de estudantes do Ensino Superior a pedir empréstimo aumentou para 4,9 por cento
Lisboa, 06 jun (Lusa) -- O número de alunos do Ensino Superior que pediu empréstimo bancário aumentou de 1,6 por cento, em 2004/2005, para 4,9 por cento no ano letivo transato, revela um estudo a apresentar hoje na Universidade de Lisboa.
De acordo com o estudo "Quanto Custa Estudar no Ensino Superior Português", coordenado por Luísa Cerdeira, são os estudantes do sistema privado os que pedem mais empréstimos: 9,3 por cento no politécnico e 5,7 por cento no universitário.
Cerca de 66,7 por cento dos empréstimos são de "Garantia Mútua".
Os bancos com maior número de empréstimos são a Caixa Geral de Depósitos (47,1 por cento), o Santander (13,7 por cento) e o BCP (7,8 por cento).
Os dados indicados pelos estudantes apontam também para empréstimos de familiares e amigos (7,8 por cento).
Em média, o valor do empréstimo é de 9.851 euros.
São os estudantes com mais de 30 anos quem mais recorre ao empréstimo (11 por cento).
Os resultados revelam também serem os estudantes de Artes, Humanidades e Línguas que mais recorrem a empréstimos.
Questionados sobre o que pensam do financiamento do Ensino Superior, a maioria dos estudantes concorda tratar-se de um bem público cujos custos devem ser partilhados, mas tendo o Estado como principal financiador.
Um estudante gasta em média 6.624 euros por ano no Ensino Superior: 5.942 euros no sistema universitário público, 5.719 euros no politécnico público, 8.843 euros no universitário privado e 10.408 euros no politécnico privado.
Os valores são apurados com base nas respostas dos alunos aos inquéritos sobre os custos de educação e os custos de vida.
Assim, um estudante português apresenta em 2010/2011 um custo anual médio de 6.624 euros, sendo os custos de educação de 1.935 euros e os de vida de 4.690 euros.
Numa instituição privada, o estudante revela um custo anual superior ao público em 60 por cento (+250 por cento nos custos de educação e +9 por cento nos de vida).
Os estudantes que frequentam uma instituição pública, no litoral, e vivem em casa dos pais (32 por cento), têm um custo total de 4.465 euros.
Nas mesmas condições, mas numa instituição privada, os custos elevam-se para 8.248 euros por ano.
Seguem-se, no sistema público, os que têm um quarto ou apartamento alugado também no litoral (20 por cento) e aqui os custos são de 7.187 euros.
O estudo baseou-se em investigações anteriores e em inquéritos feitos a uma amostra representativa de estudantes para identificar a sua situação socioeconómica.