Número de grávidas adolescentes desceu, mas taxa continua elevada
O número de jovens mães com menos de 19 anos nos Açores caiu 2,6% em 2010, apresentando a região uma taxa de gravidez na adolescência de 7,2%, com 198 casos no ano passado.
"É uma boa notícia este decréscimo, mas a região continua a ter quase o dobro da média nacional", afirmou o presidente da Associação para o Planeamento Familiar e Saúde Sexual Reprodutiva nos Açores, Adelino Dias, recordando que o país tem uma taxa média de 4%.
Nesse sentido, o especialista tem esperança de que a tendência decrescente registada nos Açores em 2010 "seja projetada no futuro", mas alerta que a gravidez na adolescência "continua demasiado elevada" no arquipélago.
Os dados oficiais indicam que se registaram 321 casos de gravidez em adolescentes em 2005, tendo esse número sido reduzido para 198 no ano passado. Entre 2007 e 2010, período em que a média nacional caiu apenas 0,8%, houve um decréscimo de 3% na região.
Para Adelino Dias, os valores registados no ano passado assumem especial importância, já que significam o fim de uma "situação constante" em que os Açores se mantinham com mais do dobro da média nacional de casos de gravidez na adolescência.
A tendência agora registada, segundo este especialista, deve-se a "uma dinâmica em saúde sexual e reprodutiva nas escolas", mas resulta também da "intervenção das instituições, que se empenham em passar a mensagem de que a gravidez não é um projeto de vida na adolescência e acarreta consequências".
Por outro lado, Adelino Dias considerou que a "tradição e a mentalidade" dos jovens, para quem a gravidez pode ser "uma forma de autonomia", ajuda a explicar os valores elevados que se registam nos Açores.
"A gravidez era considerada uma forma de adquirir alguma autonomia, mas essa mentalidade já está a ser atenuada com o acesso à informação", acrescentou o especialista.
A Associação para o Planeamento Familiar está a desenvolver um programa na vila de Rabo de Peixe, concelho da Ribeira Grande, em S. Miguel, acompanhando seis jovens casais adolescentes.
O programa, que conta com o apoio da Segurança Social e do centro de saúde, disponibiliza um atendimento individual e em grupo aos jovens casais. Adelino Dias frisou que, apesar de existir recursos para evitar a gravidez na adolescência, como consultas de planeamento familiar ou contracetivos gratuitos, deve ser feita uma maior aposta nas áreas da educação e da saúde.
"O trabalho principal tem que ser feito nas escolas, mas também em colaboração com os serviços de saúde, porque permite uma abordagem num contexto prático", afirmou, destacando a importância de "um acompanhamento para prevenir a reincidência" de adolescentes grávidas.