Número de microcréditos em Portugal mais do que duplicaram em 2005

O número de empréstimos concedidos a pessoas que não têm acesso a crédito para desenvolver negócios por falta de garantias mais do que duplicou em 2005, em Portugal, revelou a Associação Nacional de Direito ao Crédito (ANDC).

Agência LUSA /

O Banco Grameen, do Bangladesh, e ao seu fundador, Muhammad Yunus foram hoje distinguidos com o Nobel da Paz pelos seus esforços na ajuda ao desenvolvimento económico e social naquele país através de programas inovadores, como o microcrédito.

Em 2005, o número de empréstimos de microcrédito tinha aumentado em Portugal 142 por cento relativamente a 2004, para 153 processos, que totalizaram um volume de crédito concedido de 693,73 mil euros, o que traduz uma subida de 119 por cento, segundo dados disponibilizados em Janeiro passado.

"Em várias culturas e civilizações, Yunus e o Banco Grameen têm demonstrado que mesmo os mais pobres dos pobres podem trabalhar para o seu desenvolvimento", afirmou a Comissão Nobel, ao justificar a decisão.

De acordo com dados do presidente da Associação Nacional de Direito ao Crédito, Manuel Brandão Alves, desde que foi fundada, em Dezembro de 1998, a ANDC ajudou a criar 630 empresas e a criar 700 postos de trabalho, através do microcrédito.

Em entrevista concedida à Agência Lusa em Janeiro passado, Manuel Brandão Alves afirmou que "nos últimos dois anos houve acontecimentos que levaram a sociedade civil a reconhecer o movimento do microcrédito".

Os marcos apontados como decisivos no desenvolvimento do microcrédito são a conferência feita em Portugal em Novembro de 2004, em Lisboa, na Gulbenkian, e a Organização das Nações Unidas (ONU) ter definido 2005 como o Ano Internacional do Microcrédito.

O microcrédito é concedido a pessoas que, sem acesso a créditos normais, mas com condições e capacidades pessoais para desenvolver uma actividade concreta consigam contrair empréstimos para criarem o seu pequeno negócio.

Por isso, é considerado um instrumento de combate à pobreza e exclusão social, que valoriza a capacidade de iniciativa na criação de condições de desenvolvimento de pequenos negócios, permitindo a plena inserção no mundo do trabalho.

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