Nuno Santos despedido da RTP

Nuno Santos, ex-diretor de informação da RTP, foi despedido pelo Conselho de Administração (CA) da empresa, anunciou esta quarta-feira o próprio em comunicado na sua página no Facebook. "A decisão acaba de me ser comunicada pelo Conselho de Administração da Empresa à qual dei o melhor de mim próprio durante quinze anos", escreve o jornalista.

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Segundo Nuno Santos, a decisão que lhe foi comunicada esta manhã é "meramente política" Lusa

Não se mostrando surpreendido pela decisão, que diz esperar desde que foi "ilegalmente suspenso no passado dia 7 de Dezembro", Nuno Santos promete travar "uma luta sem quartel, nos tribunais e em outros foruns, contra este saneamento anunciado e agora oficializado". Para o ex-diretor de informação da televisão pública, "a honra dos homens não se atira impunemente aos cães."

Segundo Nuno Santos, a decisão que lhe foi comunicada esta manhã é "meramente política, concertada minuciosamente pelo descredibilizado CA da RTP com outras entidades, como se provará em sede própria." O ex-diretor diz que o despedimento foi desencadedo "exclusivamente por alegado delito de opinião [na sequência da sua audição na Assembleia da República], algo que está banido da ordem jurídica portuguesa desde a entrada em vigor da Constituição da República em 1976".

Em sua defesa, Nuno Santos apresenta posições do Conselho de Redação, da Comissão de Trabalhadores e da própria Entidade Reguladora da Comunicação: "Os jornalistas da RTP, através do Conselho de Redação, exprimiram uma posição clara contra o meu silenciamento; a Comissão de Trabalhadores apontou de forma incisiva a inconsistência do chamado 'processo', desde a fase dita de 'inquérito' até ao processo disciplinar com vista ao despedimento; a ERC, numa deliberação tomada por unanimidade, contrariou o chamado 'inquérito' interno, exortando a empresa a definir regras em vez de se concentrar obsessiva e caprichosamente no mero ataque ad hominem."

Dizendo-se vítima de um "assassinato de carácter pessoal e profissional", Nuno Santos não poupa críticas à administração da empresa: "Na vaidade do seu isolamento, a equipa do Dr. Alberto da Ponte executou até ao fim o plano previamente traçado, fazendo-o, aliás, em simultâneo com outras ações lesivas dos interesses da RTP e dos seus Trabalhadores para as quais chamei a atenção no Parlamento e que estão hoje, infelizmente, à vista de todos".

Segundo o jornal Público, que teve acesso ao texto da decisão do processo disciplinar, a administração diz que a atuação de Nuno Santos no Parlamento "consubstancia a prática de diversas infrações disciplinares, traduzidas na violação grave e deliberadamente assumida do dever de obediência e do inerente cumprimento das ordens e instruções relativas à execução do trabalho". O texto diz ainda, segundo o jornal, que as declarações são uma violação "do dever de respeitar e tratar com probidade os seus companheiros de trabalho e superiores hierárquicos e do dever de lealdade".
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