o comando operacional é meu"

O comando operacional dos 120 efectivos da GNR que chegaram a Timor-Leste é do seu comandante, afirma o capitão Gonçalo Carvalho, garantindo não ter qualquer dúvida sobre essa questão.

Agência LUSA /

"Para mim não há dúvidas nenhumas: o comando operacional é meu. Não há hierarquia nenhuma entre as forças, simplesmente existe uma célula de coordenação que vai coordenar as forças no terreno", explicou o capitão Carvalho à Lusa.

O presidente da República de Timor-Leste chamou a si a coordenação de todas as forças, afirmou o capitão Carvalho.

Depois, "existem as forças que estão dependentes do ministro da Defesa (José Ramos Horta) e as outras forças, neste caso a nossa, que estará dependente do ministro do Interior Alcino Baris)", adiantou.

Também o primeiro-ministro timorense, Mari Alkatiri, se referiu hoje à questão do comando, quando questionado pela Lusa sobre a pretensão da Austrália de comandar as forças da GNR.

Mari Alkatiri explicou que Camberra defende que, à semelhança de outras operações idênticas, seria necessário "haver um comando único".

"Eles baseiam-se na sua experiência de outras situações, mas há formas de coordenação que podem ser positivas", afirmou, contextualizando a tese portuguesa de comandos distintos entre as tropas australianas e a GNR.

A questão surgiu esta semana, quando a Austrália enviou uma missão a Lisboa para discutir o comando das tropas internacionais em Timor-Leste, tendo o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Diogo Freitas do Amaral, reiterado que Portugal não aceita subordinar a GNR ao comando de militares estrangeiros.

"Portugal não aceitou, não aceita nem aceitará nunca que a GNR fique subordinada ao comando operacional de um militar estrangeiro.

(...) Tal é a nossa posição e, como posição de princípio, ela é inegociável", disse Freitas do Amaral numa conferência de imprensa quinta-feira em Lisboa.

O carinho com que os militares portugueses foram hoje recebidos pelos timorenses, primeiro em Baucau, onde chegaram de manhã, e depois durante o percurso, em Manatuto, Metinaro e à entrada em Díli, eleva as expectativas.

"A responsabilidade é sempre a mesma. Trabalhamos da maneira que trabalhámos quando estivemos na missão das Nações Unidas. Fizemo- lo noutros teatros, e temos sempre os mesmos princípios de actuação, não trazemos nada diferente", salientou.

"Claro que tentaremos corresponder às expectativas, com empenhamento máximo e patrulhamento em Díli 24 horas por dia", garantiu.

Os 120 efectivos vão ficar para já alojados no Hotel Díli 2001, quartel improvisado enquanto se aguarda uma decisão definitiva sobre o local em que será instalado o Quartel-General.

Mas, para o capitão Carvalho, o início do trabalho já tem hora marcada.

"Chegámos e agora necessitamos de nos instalar no espaço que nos foi cedido para montar o nosso aquartelamento. E vamos preparar- nos para nos apresentarmos na cidade de Díli, amanhã (segunda-feira) ou depois de amanhã (terça-feira). Tudo depende do nosso aprontamento, em material e equipamento", salientou.

Hoje, os 120 efectivos da GNR trouxeram apenas parte do material que vão utilizar, incluindo armamento, esperando que na próxima terça-feira saia de Lisboa um Antonov com o restante material, incluindo viaturas.

PUB