Mundo
Guerra no Médio Oriente
"O problema neste momento é a banalização das violações das normas internacionais"
Caos, desordem, incerteza, erosão, mutação, turbulência: são as várias palavras que os especialistas escolhem para caracterizar o momento atual da política internacional.
No mesmo sentido Joana Ricarte, especialista em Relações Internacionais e Médio Oriente, afirma no programa da RTP Antena 1 Consulta Pública que "estamos num sistema mundial em grande mutação e desordem, no qual os direitos adquiridos, as instituições e toda a construção de uma organização mundial estão em erosão".
Esta erosão é também destacada por José Pedro Teixeira Fernandes. O investigador no Instituto Português de Relações Internacionais fala de "uma alteração profunda da ordem internacional". O especialista fala mesmo de "mais desordem e uma erosão contínua do sistema internacional levando a um resultado incerto e altamente preocupante da estabilidade".
Esta mutação do sistema internacional afeta, dizem os especialistas, a Europa. Na opinião de Jorge Rodrigues não existe "uma nova ordem". Para o coordenador do Observatório do Risco Geopolítico para Empresas da Porto Business School "não temos um regulador credível e aceite" e, por isso, "a Europa tem de encontrar o seu espaço neste novo ambiente".
Os desafios da Europa são também destacados no Consulta Pública por Licínia Simão. A especialista em Estudos Europeus refere que "a Europa está numa situação particularmente delicada porque o seu aliado estratégico (os EUA), hoje é um desafiador estratégico". "A Europa tem de encontrar formas de lidar com esta incerteza", conclui.
Para Luís Cunha, especialista em geopolítica da China, aquilo a que chama "erosão acentuada" afeta os Estados Unidos e já vem acontecendo antes de Donald Trump assumir a Administração norte-americana. "Estamos a assistir nos últimos anos a um confronto entre autocracias e democracias. E as democracias estão a reduzir em todo o mundo", acrescenta.
O programa Consulta Pública foi moderado pelo jornalista António Jorge.