"O Solitário" queria comprar casa no Brasil

O assalto que "O Solitário" pretendia realizar na Figueira da Foz poderia ser o último da sua "carreira" e deveria financiar a ida do assaltante mais procurado de Espanha para o Brasil, onde pretendia comprar uma casa.

RTP /
Assalto na Figueira da Foz poderia ter sido o último antes da reforma no Brasil DR

Fontes da investigação do caso referem que Jaime Giménez Arce, 51 anos, mantinha uma relação sentimental com uma cidadã brasileira, a quem enviava pequenas quantias de dinheiro periodicamente.

O assaltante tinha vindo a manifestar a intenção de se mudar para o Brasil, antecipando que o golpe na Figueira da Foz seria o último antes de uma vida, com a companheira, em Ribeirão Preto (Brasil), onde queria comprar casa.

"Poderia ser o último golpe dele. Depois seria o salto para o Brasil, onde queria ficar a viver", explicaram fontes da investigação.

Documentação encontrada na casa do assaltante em Las Rozas, nos arredores de Madrid, sugere que o assaltante pretendia abrir uma empresa nessa localidade, do interior do estado de São Paulo.

A empresa poderia dedicar-se à produção de álcool para automóveis, um tema a que "O Solitário" dedicava bastante tempo.

Comportamento de "El Solitário" à saída tribunal próprio de "paranóico" - director Polícia espanhola

O comportamento do assaltante "O Solitário" à saída do Tribunal da Figueira da Foz, onde foi ouvido terça-feira, é próprio de um "paranóico", afirmou hoje o responsável máximo da Polícia espanhola.

Joan Mesquida, director-geral da Polícia e da Guarda Civil, comentava, assim, o facto de o assaltante espanhol ter saído do tribunal em tom desafiante e gritando "Olá a todos, sou o Solitário. Olá espanhóis".

O assaltante, Jaime Giménez Arce, 51 anos, era procurado em Espanha por mais de 30 assaltos e por, pelo menos, três assassinatos. Estima-se que na última década os mais de 30 assaltos que levou a cabo lhe renderam mais de 700 mil euros (o mais recente, em Maio, seis mil euros).

Depois de ser ouvido no Tribunal da Figueira da Foz, Arce foi transferido para a cadeia de Coimbra, onde ficará em prisão preventiva.

O responsável espanhol, que felicitou todos os agentes envolvidos pelo "magnífico trabalho" que culminou na detenção do assaltante em Portugal, criticou a actuação de Arce e recordou os agentes mortos pelo alegado criminoso.

"No momento da detenção e vendo estas imagens, deixo uma homenagem emocionada para os guardas-civis assassinados e para as suas famílias", afirmou.

Definindo o assaltante como "uma pessoa paranóica que actuava sózinho", Mesquida afirmou que o assaltante é "extremamente violento" - como demonstrou quando "disparou 23 tiros sobre os guardas-civis" ou quando disparava sobre funcionários dos bancos que assaltava "quando o dinheiro lhe parecia insuficiente".

Mesquida disse que o assaltante foi deixando pistas que permitiram agora a sua detenção, para o que contribuiu "de forma essencial" a colaboração de um cidadão cuja identidade não relevou.

"Depois do último assalto em Toro (Salamanca, em Maio), voltou a insistir-se na colaboração cidadã e surgiram informações muito importantes que acabaram por contribuir para o resultado que todos conhecem", afirmou.

Especialmente importante foram as rusgas efectuadas nos últimos dias a uma casa e um armazém do assaltante, onde foram encontradas armas e documentos que permitirão "resolver muitos assaltos" e que podem ajudar a comprovar o envolvimento do detido nos assassinatos que lhe são imputados.

Mesquida destacou o arsenal de armas curtas e longas, granadas de fabrico artesanal e abundante documentação encontrada nas rusgas, incluindo notas detalhadas de planeamento dos assaltos e material de disfarces e camuflagem que caracterizaram o seu "modus operandi".

"O importante é que está detido e que as autoridades portuguesas vão incriminá-lo pelos delitos de tentativa de assalto, posse ilegal de armas, falsificação de documentos e de chapas de matrícula", afirmou.

"Isso levá-lo-á à prisão por muitos anos", explicou, frisando que Espanha vai apresentar a Portugal uma ordem de entrega para que o assaltante possa ser interrogado em Espanha "no menor prazo de tempo possível".
PUB