Ocupação reduzida e obras em pousadas de juventude motivam investimentos municipais
Redação, 08 fev (Lusa) -- Em contexto de crise, vários municípios portugueses têm investido em pousadas de juventude ou ponderam fazê-lo, inclusive com a compra de dormidas, para ajudar a manter os alojamentos.
A Câmara de Torres Vedras (distrito de Lisboa) acordou com o Instituto Português do Desporto e da Juventude a abertura de uma unidade na praia de Santa Cruz no próximo verão.
A compra do imóvel (2,2 milhões de euros) e do imobiliário coube à autarquia, que vai também assumir os eventuais prejuízos que resultarem da exploração, enquanto a empresa pública Movijovem (gestora de 40 pousadas) fica responsável pela gestão do espaço.
O anúncio da nova pousada contrasta com o fecho de 12 unidades durante a época baixa, devido à reduzida ocupação: em dezembro, a medida foi aplicada a nove, remetendo-se então para janeiro o fecho temporário de outras três até 14 de março.
A pousada de São Pedro do Sul (distrito de Viseu) - com 136 camas e situada junto às termas, onde existem duas mil camas em hotéis que não fecham nesta altura - foi, ao segundo dia do ano, uma delas.
O presidente da câmara, António Carlos Figueiredo, disse à Lusa compreender a medida, porque "em época baixa não tinha movimento que justificasse estar aberta".
Também a pousada de Alcoutim, no Algarve, não pode ser visitada nestes meses de inverno, o que, segundo o presidente do município, Francisco Amaral, não tem acontecido noutros anos.
Anualmente, a autarquia daquele que é um dos mais desertificados concelhos portugueses investe ali vários milhares de euros para que o espaço esteja sempre aberto: "Já era para ter fechado há alguns anos, mas houve um acordo com a autarquia e estamos a pagar 25 mil euros. Todos os anos compramos 25 mil euros de dormidas e de refeições, que acabamos por as ceder aos jovens desportistas de Alcoutim, para manter a pousada aberta".
Já a pousada algarvia da Arrifana mantém-se aberta, depois de um investimento da Câmara de Aljezur de cerca de 13 mil euros para evitar o fecho temporário.
A compra de estadias foi já ponderada em Castelo Branco e, no mesmo distrito, a Câmara da Covilhã respondeu afirmativamente a um contacto do Governo em 2012 para discutir o futuro da pousada das Penhas da Saúde, na Serra da Estrela, mas não foram divulgadas conclusões.
A Movijovem indicou, em janeiro, que neste distrito as quatro pousadas (com um total de 325 camas) não fecham neste inverno, mas admitiu serem deficitárias.
"A taxa média de ocupação anual das pousadas do distrito é de aproximadamente 20%, apresentando um resultado de exploração negativo, compensado em parte por comparticipações anuais dos municípios onde se inserem", informou.
Para a continuidade das unidades contribuiu "a compra de pacotes de alojamento".
Já em Abrantes, distrito de Santarém, a pousada de juventude está fechada por alguns meses, até março, mas a presidente do município, Maria do Céu Albuquerque, disse que as instalações estão "deploráveis" e exigem obras.
"O instituto ficou de apresentar uma proposta de orçamento para que a câmara possa contribuir financeiramente e estamos disponíveis para estudar esse assunto", acrescentou.
Nos Açores, as cinco pousadas de juventude em que o Governo Regional tem 51% do capital ficaram abertas. O número de dormidas tem, aliás, aumentado.
O presidente do conselho de administração das Pousadas da Juventude dos Açores, Sérgio Cabral, adiantou à Lusa que nas unidades do Pico, Terceira, São Jorge, São Miguel e Santa Maria a taxa média de ocupação anual é de 30%.
Hoje, o Governo vai apresentar em Almada um estudo de viabilidade da rede de pousadas de juventude. O documento prevê um modelo de gestão que poderá reduzir as unidades da rede nacional de 45 para 20, sendo as restantes "franchisadas".