Oficiais da PSP lamentam que Governo tenha "pouca vontade" em resolver "problemas estruturais"

Oficiais da PSP lamentam que Governo tenha "pouca vontade" em resolver "problemas estruturais"

O Sindicato Nacional de Oficiais de Polícia (SNOP) lamentou hoje que o Governo tenha "pouca vontade" em resolver "verdadeiramente os problemas estruturais da PSP", considerando que os efeitos das medidas anunciadas "apenas serão sentidos daqui a vários anos".

Lusa / Adicionar como fonte informativa
António Antunes - RTP

"Enquanto se anunciam medidas cujos efeitos apenas serão sentidos daqui a vários anos, permanecem por resolver os problemas concretos dos milhares de polícias que diariamente honram o compromisso assumido, colocando a sua segurança e, se necessário, a própria vida ao serviço dos cidadãos", refere o sindicato que representa a maioria dos comandantes e diretores da PSP, em comunicado.

O SNOP sustenta que a reunião realizada na segunda-feira entre o ministro da Administração Interna e os sindicatos da PSP "espelha bem a pouca vontade do Governo querer verdadeiramente resolver os problemas estruturais da PSP".

O sindicato sublinha que o Governo está "resignado em ceder a meras pulsões do momento", como é o caso dos aeroportos, numa alusão à proposta apresentada na reunião de segunda-feira sobre a criação de um subsídio mensal para os polícias que trabalham nos aeroportos.

"Infelizmente, continua a prevalecer uma lógica de taticismo político e económico, onde adiar decisões para o mês seguinte, para o ano seguinte ou para o mandato seguinte parece constituir a estratégia preferencial. Adia-se a resolução dos problemas, protelam-se soluções e prolonga-se a desvalorização daqueles que garantem um dos pilares fundamentais do Estado de Direito", precisa.

O SNOP faz também referência ao anúncio hoje feito pelo ministro da Administração Interna, Luís Neves, na cerimónia de compromisso de honra do Curso de Formação de Oficiais de Polícia (CFOP), em que o próximo concurso de acesso ao CFOP passará a disponibilizar 45 vagas, em vez das atuais 35.

Para o sindicato que representa os oficias da PSP, trata-se de "uma medida que vai ao encontro daquilo que o SNOP tem vindo há vários anos a defender junto do Governo" para "colmatar o êxodo para outras carreiras" da administração pública ou organismos internacionais.

No entanto, salienta, "importa não criar a ilusão de que este anúncio resolve os problemas existentes, visto que os seus efeitos apenas começarão a sentir-se em 2031".

"Até lá, a PSP continuará a enfrentar uma escassez crescente de oficiais, precisamente quando milhares de polícias se aproximam da aposentação e quando as exigências operacionais e de gestão se tornam cada vez mais complexas", refere o SNOP, lembrando ainda que a PSP atingiu em 2025 "o número mais baixo de sempre" de oficiais, "o que necessariamente se repercute nos níveis [deficitários] de comando e supervisão".

O sindicato considera que é "uma resposta importante, mas manifestamente tardia".

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