Ongoing rejeita "insinuação" e avança para tribunal
Lisboa, 29 mai (Lusa) - O grupo de media Ongoing rejeitou hoje a "insinuação" de "ter utilizado serviços secretos, detetives privados, investigadores ou quaisquer meios ilegais", bem como divulgado informação nestes termos, e anunciou que vai processar os autores de tais "acusações".
Fonte oficial da empresa declarou à agência Lusa que o grupo "recusa perentoriamente a insinuação de ter utilizado serviços secretos, detetives privados, investigadores ou quaisquer meios ilegais, de qualquer forma".
A Ongoing rejeita ainda, neste contexto, "alguma vez ter divulgado informação assim obtida por quaisquer meios, muito menos com o intuito de difamar".
Segundo o grupo, em causa estão "acusações graves, que terão resposta no local próprio, ou seja, no tribunal".
Hoje, o semanário Expresso noticiou, na sua edição "online", que o ex-diretor do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) e ex-administrador do grupo Ongoing Jorge Silva Carvalho tinha um relatório detalhado sobre a vida do diretor do jornal, Ricardo Costa.
No sábado, o Jornal de Notícias noticiou que Silva Carvalho "encomendou relatórios às Secretas sobre pessoas cuja vida interessava à Ongoing" e que "a investigação sobre Pinto Balsemão foi elaborada por um especialista ex-agente das Secretas".
A alegada investigação ao presidente do grupo Impresa, que detém o Expresso, foi também noticiada pelo Correio da Manhã e pelo jornal i.
Francisco Pinto Balsemão anunciou no sábado, através de uma declaração escrita enviada à Lusa, que vai avançar com um processo judicial contra os autores dessa alegada investigação.
Silva Carvalho, que hoje disse, através do seu advogado, ser vítima de "um linchamento popular", é acusado de acesso indevido a dados pessoais, abuso de poder e violação de segredo de Estado.
O grupo Ongoing, que detém o jornal Diário do Económico, é presidido por Nuno Vasconcellos, outro dos arguidos do caso das Secretas, que o Ministério Público (MP) acusou de corrupção ativa.
No mesmo processo é também acusado João Luís, diretor do departamento operacional do SIED, de, em coautoria com Silva Carvalho, acesso ilegítimo agravado, acesso indevido a dados pessoais e abuso de poder na forma consumada.
O MP concluiu que os três arguidos "agiram em conjugação de esforços e de intentos" e "sempre de forma livre e deliberada, sabendo que as suas condutas eram contrárias à lei".
O Ministério Público concluiu também que Silva Carvalho ordenou, entre 07 e 17 de agosto de 2010, ao arguido João Luís que obtivesse os dados de tráfego do número de telefone (da operadora Optimus) utilizado pelo jornalista Nuno Simas, entre julho e agosto de 2010.
O objetivo era saber quais os funcionários das Secretas que poderiam ter sido a fonte de informação de uma notícia do jornal Público sobre o mal-estar causado por mudanças de espiões e dirigentes.
O caso já levou à demissão de Adelino Cunha do cargo de adjunto do ministro-Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas.