Operação "Irmandade". Detidos mais de 30 suspeitos com ligação a grupos de extrema-direita

A PJ tem em curso uma grande operação de norte a sul do país. Já foram detidos mais de 37 suspeitos por crimes de incitamento à violência ao ódio, agressão, associação criminosa e detenção de armas proibidas.

RTP /
Foto: Fernando Nobre - RTP

A Polícia Judiciária (PJ), através da Unidade Nacional Contraterrorismo, desencadeou, esta terça-feira uma vasta operação policial que decorreu em todo o país, com a finalidade de desmantelar uma organização criminosa responsável pela prática de crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, ameaça e coação agravadas, ofensas à integridade física qualificada e detenção de armas proibidas, e na qual foram detidos 37 suspeitos com vastos antecedentes criminais e com ligações a grupos de ódio internacionais, lê-se num comunicado da Polícia Judiciária a que a RTP teve acesso.

No decurso da operação "Irmandade", que contou com cerca de 300 elementos de diversas unidades da PJ, foram ainda constituídos mais 15 arguidos e realizadas 65 buscas domiciliárias e não domiciliárias.

Os detidos, com idades compreendidas entre os 30 e os 54 anos, adotavam e difundiam a ideologia nazi, inerente à cultura nacional-socialista e extrema-direita radical e violenta, agindo por motivos racistas e xenófobos, com o objetivo de intimidar, perseguir e coagir minorias étnicas, designadamente imigrantes.

Segundo a nota da PJ, "os visados são suspeitos de terem fundado uma organização criminosa com o exclusivo propósito de desenvolver atividades que incitavam à descriminação, ao ódio e à violência racial, tudo isto no seio de uma estrutura hierárquica e fortemente estabelecida, com distribuição de funções".
Foi, ainda, apreendido um vasto material de propaganda e merchandising alusivo à ideologia de extrema-direita violenta, nomeadamente neonazi, bem como armas diversas.

A RTP apurou que o principal alvo é o grupo 1143. São suspeitos de espalharem mensagens de ódio e violência, recrutamento de jovens e agressão. Um dos casos visados ocorreu a 5 de outubro de 2025 na área de serviço de Aveiras onde foi agredido um cidadão indiano.

Mário Machado está detido mas terá passado indicações a partir da cadeia. É considerado o líder do grupo. Fonte próxima do processo disse entretanto à Lusa que a cela de Mário Machado foi alvo de buscas hoje de manhã.

Os detidos serão presentes quarta-feira no Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa para primeiro interrogatório judicial, tendo em vista a aplicação das respetivas medidas de coação. O inquérito é titulado pelo DIAP de Lisboa.

Para mais esclarecimentos, a PJ vai realizar esta tarde uma conferência de imprensa.

PUB