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Operadores na região de Lisboa e do Algarve pedem respostas à crescente procura de autocarros

Operadores na região de Lisboa e do Algarve pedem respostas à crescente procura de autocarros

Vários transportes públicos tiveram mais passageiros no último mês, depois da subida de preços nos combustíveis. Nas regiões de Lisboa e do Algarve, foram batidos recordes em março, mas os responsáveis pela Carris Metropolitana e pela Vamus avisam que é preciso reforçar a capacidade das paragens e dos corredores BUS para responder ao crescimento da procura.

Gonçalo Costa Martins - RTP Antena 1 /
Filas no terminal da Portela de Sintra, em maio de 2025 Gonçalo Costa Martins - RTP Antena 1

As operações da Carris Metropolitana concentravam mais procura nos meses de maio e outubro. No entanto, março de 2026 tornou-se no “melhor mês de sempre” para a transportadora: atingiu um recorde em março de 18,59 milhões de passageiros transportados, mais 15% que no mesmo mês do ano anterior.

A revelação é feita pelo presidente dos Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML), gestora da Carris Metropolitana, e que tem visto enquanto passageiro mais pessoas a bordo: “Em alguns modos de transporte que normalmente não tinha gente de pé, até estranhamente eu vi gente de pé”, afirma Carlos Humberto de Carvalho.

No sul do país, também não há memória de tanta gente na Vamus. Foram cerca de 320 mil validações em março. “Nunca se atingiu este valor”, explica Joaquim Brandão Pires, primeiro secretário da Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL).
AMAL nota "estrangulamento" no trânsito de Faro e Portimão

Os dois acreditam que os combustíveis influenciaram a procura. Esperam que não baixe à medida que o gasóleo e a gasolina fiquem mais baratos, mas avisam que é preciso estimular a competitividade do transporte público. A preocupação comum é os corredores BUS.

Brandão Pires defende vários fatores que influenciam a procura: a oferta de carreiras e de horários, o preço e a promoção do transporte público. Acrescenta que “o agravamento dos custos dos meios de transporte alternativos”, referindo-se ao carro, também causa impacto, tal como o custo do estacionamento.

Mas não esquece as estradas: “Se tivéssemos por exemplo, na região, faixas BUS para os autocarros e para o transporte público em geral que os tornassem mais competitivos em relação ao transporte privado, mais gente viria para o transporte público”, aponta.
Questionado se essas palavras são um desafio às câmaras municipais, é perentório: “Penso que em alguns municípios é importantíssimo”.

“Começa a haver focos de estrangulamento à entrada de algumas cidades, Faro e Portimão pelo menos”, descreve Joaquim Brandão Pires, em que se justifica “pensarmos em criar essa primazia ao transporte público em detrimento do transporte privado”.
"Interfaces não estão preparados para tantos autocarros e pessoas"

Já no caso da Carris Metropolitana, Carlos Humberto de Carvalho reconhece que há casos em que já não dá para colocar mais autocarros. Diz antes que seriam precisos transportes “pesados” com mais capacidade, como em algumas zonas de Sintra. O mesmo reforço, afirma, seriam precisos nos corredores BUS e nas paragens.

"Tenho preocupações sobre o mês de maio", confessa sobre a evolução da procura, porque, em algumas situações, "temos autocarros de cinco em cinco ou de seis em seis minutos" em que "não há já capacidade de responder com autocarros a uma determinada procura".
A TML já tinha avisado - ainda Rui Lopo liderava a entidade, antes de passar para a Carris - e agora Humberto de Carvalho renova o alerta de que há locais que já têm a capacidade esgotada nas paragens: “Os interfaces não estão preparados para ter tantas viaturas, tantos autocarros, tantas pessoas”.  

Quanto aos corredores BUS, o presidente da TML considerou-os "indispensáveis", depois de no passado ter sido afirmado que este é um "trabalho contínuo" e que começava a ser discutido. 
Área Metropolitana do Porto teve mais 7% de validações
A RTP Antena 1 tentou através dos Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML) e do Porto (TMP) obter dados sobre os passes mensais nestas regiões, bem como das validações por cada operador, mas as duas entidades dizem que não conseguem ainda apresentar todos estes dados.

No caso da TMP, a entidade registou 19.045.788 validações em março, mais 7% que no mesmo período do ano passado, englobando os autocarros da STCP e da Unir, o Metro do Porto e as linhas urbanas da CP - Comboios de Portugal.

Sem detalhar por operador e embora aponte um “ligeiro aumento”, afirma que “é ainda prematuro estabelecer uma correlação direta entre o aumento do custo dos combustíveis e a maior procura por transporte público”. 

O Metro de Lisboa revela à rádio pública que os utilizadores subiram 2% de março de 2025 para março de 2026, tendo chegado a 15.134.828 passageiros. Ao comparar o último mês com fevereiro, o crescimento foi de 21%.

À semelhança da Carris Metropolitana, o Metro de Lisboa deixa a nota de que março de 2026 teve mais dias úteis (no ano passado o Carnaval foi em março, além de ter incluído mais dias de férias escolares).

A Transtejo, que faz as ligações de barco no Rio Tejo, já tinha anunciado que transportou 1.840.779 passageiros em março, mais 8% que no mesmo período do ano passado. Questionada pela RTP Antena 1, o Metro do Porto confirma “um ligeiro crescimento na procura”, ainda sem dados consolidados.

Sem enviar números concretos, no Porto, a STCP afirma que houve um aumento de 8% de validações nos autocarros de março de 2025 para março de 2026 (sublinhando também que é "prematuro" ligar a subida aos combustíveis), enquanto a Fertagus, que liga Lisboa e Setúbal de comboio, registou um crescimento de 3%.

A rádio pública pediu também na última sexta-feira dados à Carris, em Lisboa, bem como à CP, mas não foi enviada resposta.

(Artigo atualizado para corrigir os dados da TMP que se referem a validações e não passageiros, e também acrescentar os números da STCP e da Fertagus)
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