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Oposição quer explicações sobre o encerramento do Túnel do Rossio

Oposição quer explicações sobre o encerramento do Túnel do Rossio

O túnel ferroviário do Rossio foi encerrado hoje de madrugada por questões de segurança, o que levou já o PS a pedir explicações ao Governo, e o Bloco de Esquerda a criticar as obras públicas em Portugal.

Agência LUSA /

A decisão da REFER - Rede Ferroviária Nacional de interditar a circulação no túnel do Rossio, por razões de segurança foi anunciada hoje madrugada através de um comunicado do gabinete do secretário de Estado dos Transportes e Comunicações.

A REFER justificou o encerramento do túnel, que liga a estação de Campolide ao Rossio, na sequência das conclusões de um relatório elaborado pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC).

Hoje de manhã, o presidente da empresa, Braancamp Sobral explicou que o relatório aponta para uma "deficiência estrutural grave (no túnel) ao quilómetro 2.020 e numa extensão de 40 metros".

Braancamp Sobral adiantou que o problema que levou à interdição do túnel - abatimento da cobertura - vem desde 1927 e tem vindo a deteriorar-se ao longo dos anos, embora esteja a ser monitorizado.

Nesta conferência de imprensa, o presidente da Refer negou qualquer relação entre as obras no túnel do Marquês e o encerramento do túnel do Rossio.

"É um pouco abusivo essa relação directa", disse em conferência de imprensa, Braancamp Sobral.

Ainda de madrugada, após o anúncio do encerramento do túnel do Rossio, a Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados (ACA-M) solicitou à REFER esclarecimentos sobre a eventual relação entre a interdição e as obras do túnel do Marquês, recordando que já pedira informações sobre o assunto em Maio passado.

Também o líder do PS Lisboa, Miguel Coelho, manifestou-se surpreendido com o encerramento do túnel do Rossio e pediu esclarecimentos ao Governo para averiguar se o problema tem ligação às obras do túnel do Marquês de Pombal.

Para o dirigente do Bloco de Esquerda (BE) Francisco Louça, o encerramento do túnel do Rossio mostra a "irresponsabilidade generalizada das obras públicas em Portugal".

"Vamos ficando com a ideia de que há demasiadas obras mal feitas com falhas de conservação", notou Louçã em declarações à Agência Lusa.

Francisco Louçã congratulou-se com o facto de o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) ter feito a peritagem, e afirmou que esta situação "levanta um alerta muito importante sobre as obras em Portugal" nomeadamente sobre estruturas como o túnel do Terreiro do Paço e o túnel do Marquês de Pombal.

Por seu turno, Os Verdes já entregaram na Assembleia da República um requerimento a solicitar explicações ao governo, para saber "qual é, afinal, a causa do mau estado de conservação" do túnel.

Já a associação ambientalista Quercus manifestou-se preocupada com os problemas de mobilidade que podem ocorrer com o encerramento do Túnel do Rossio.

"O que nos preocupa é o afastamento dos transportes públicos das pessoas. O encerramento do Túnel do Rossio é mais uma penalização", comentou à Agência Lusa o presidente da Quercus, Hélder Spínola.

Para minorar os efeitos do encerramento do túnel, a CP colocou em circulação novas "famílias" de comboios e apresentou alternativas à ligação ferroviária Sintra-Rossio.

Os comboios provenientes de Sintra com destino ao Rossio passam a ser desviados para Entrecampos e Sete-Rios.

A CP admitiu que alguns passageiros não tenham recebido hoje de manhã informação suficiente, adiantando que fez os possíveis para disponibilizar o máximo de informação nas quatro horas que mediaram o fecho do túnel e o início da circulação.

SB.

Lusa/Fim


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