Ordem admite "agir disciplinarmente" contra médicos implicados no prolongamento de internamentos
Lisboa, 9 Nov (Lusa) - O bastonário da Ordem dos Médicos prometeu hoje "agir disciplinarmente" contra os médicos com responsabilidades de administração nos hospitais públicos que possam estar implicados na decisão de prolongar internamentos como forma de obter maior financiamento do Governo.
O Correio da Manhã noticiou hoje que há hospitais públicos que prolongam o internamento de um doente já em condições de ter alta clínica apenas para "arrecadar um maior financiamento do Governo", uma situação que o jornal garantiu ser do conhecimento do Ministério há vários anos.
Segundo o bastonário da Ordem dos Médicos, esta situação "está associada a actos de administradores e gestores, mas há indícios de que poderá haver médicos com responsabilidades de administração, nomeadamente directores clínicos, coniventes com este tipo de comportamento não ético".
"A Ordem dos Médicos recorda a todos os médicos, sejam quais forem as funções que desempenhem, que o código deontológico é de cumprimento obrigatório e exige como prioridade a defesa do doente, pelo que agirá disciplinarmente sempre que isso se justificar", afirmou, em comunicado, o bastonário, Pedro Nunes.
O bastonário sublinhou ter recebido "com muita preocupação" o que foi "divulgado pela comunicação social e posteriormente confirmado de que haverá hospitais a retardar a concessão de alta aos doentes por razões exclusivamente economicistas".
A Ordem dos Médicos sublinhou que "reiteradamente" tem "alertado para estas práticas", atribuindo a situação a uma "cultura de gestão ditada pelos proventos e ao afastamento dos médicos da administração das unidades hospitalares em favor de profissionais da área da economia e da gestão, que ignoram os critérios clínicos mais estritos e têm consequências tão graves quanto previsíveis para os doentes".
O Ministério da Saúde admitiu hoje a necessidade de corrigir "alguns aspectos" do financiamento aos hospitais, assegurando que a nova tabela de actualização de pagamentos vai entrar em vigor já no próximo ano.
Fonte oficial do Ministério afirmou à Lusa que já foi feita uma revisão da tabela de pagamentos aos hospitais, uma vez que havia "necessidade de corrigir alguns aspectos".
"A nova tabela de actualização de pagamentos aos hospitais, que já esteve em consulta pública, vai entrar em vigor no próximo ano", acrescentou a mesma fonte.
ACL/JPB.
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