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Ordem da Lapa acolhe primeiro parto dentro de água realizado num hospital português

Ordem da Lapa acolhe primeiro parto dentro de água realizado num hospital português

Porto, 11 Jul (Lusa) - A Ordem da Lapa, Porto, foi esta semana palco do primeiro parto natural levado a cabo em Portugal dentro de água em contexto hospitalar, disse hoje à agência Lusa fonte de clínica.

© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

"O bebé saiu, deu um empurrão com os pés, olhou logo a procurar a mãe e moveu-se logo para se aproximar dela", afirmou Isabel Ferreira, a parteira responsável por este momento, que considerou "histórico".

O casal Júnia (ela própria também parteira) e Pedro haviam já decidido que o parto do Simão Pedro seria natural, sem recurso a quaisquer anestésicos, como o Epidural.

"A técnica de parto natural que mais garantias dava de alívio de dor era o da água mas não há no Porto hospitais que disponham de banheiras fixas para o efeito. Pensou-se no Hospital Pedro Hispano (Matosinhos), que demonstrou toda a abertura mas que disse preferir primeiro criar uma equipa formada nesta área. Acabámos por optar por uma clínica privada, usando uma banheira portátil", explicou a enfermeira.

A banheira utilizada é semelhante às usadas nos partos dentro de água já realizados em Portugal no domicílio, "mas como o casal queria um acompanhamento médico seguro montou-se a estrutura na Ordem da Lapa".

Para além de permitir uma convalescença muito mais rápida - o casal teve alta logo no dia seguinte ao do parto, que decorreu terça-feira - esta técnica provoca menos lacerações no corpo da mulher e permite ao próprio bebé mais sensações de prazer, visto não serem usados medicamentos que normalmente inibem a normal produção de endorfinas pela mãe.

Quanto ao parto em si, "é algo de extraordinário. O Simão pôs a cabeça de fora tranquilamente e eu disse à mãe para lhe dar uma festa. Ela esticou a mão e acariciou o filho. Depois ele saiu e ficou ali, dentro de água com os olhos abertos", descreveu Isabel Ferreira.

Sem trauma de maior, visto transitar de um elemento líquido "placenta) para outro (água), a criança pode aguentar dentro de água o tempo que for necessário, visto a respiração surgir apenas quando as suas vias aéreas são colocadas em contacto com o ar.

"É um mito falso o que diz que a criança pode morrer afogada dentro de água", salientou a parteira, que tirou um curso de uma semana na Bélgica, onde esta técnica já é usada há mais de 30 anos.

Concluído "com sucesso e com magia" este primeiro parto natural dentro de água, a equipa que o acompanhou - que inclui ainda a enfermeira Teresa Marinho, a obstreta Matilde Cordeiro e a pediatra Lurdes Lemos - pretende agora lutar para que ele passe a ser mais comum nas instituições de saúde públicas e privadas.

MSP.

Lusa/Fim


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