Ordem dos Médicos apresenta queixa contra empresas de contratação de médicos

A Ordem dos Médicos apresentou esta manhã uma queixa ao Ministério da Saúde e à Entidade Reguladora da Saúde contra as empresas de contratação de médicos. O bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, mostra-se indignado com a falta de regulação das empresas de contratação de médicos.

Antena 1 /

Foto: Nuno Patrício - RTP

A ordem dos médicos tem conhecimento de que esta prática está a ser utilizada no Hospital de Setúbal, a quem já pediu explicações.

Carlos Cortes quer saber se o Ministério da Saúde tem ou não conhecimento desta e de outras situações.

O Bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, apresentou queixa ao Ministério da Saúde e à Entidade Reguladora da Saúde, na sequência de notícias que dão conta da utilização do fator “número de altas hospitalares” como critério de produtividade para a contratação e pagamento de honorários a médicos contratados.

Este “fator de remuneração” estará a ser utilizado por empresas de gestão de recursos humanos, responsáveis pelo recrutamento de médicos por solicitação de hospitais, nomeadamente do SNS. A confirmar-se, trata-se de uma prática inadmissível, que interfere com a autonomia médica, desconsidera a condição clínica do doente e coloca uma pressão adicional inaceitável sobre os médicos.

A contratação de médicos deve obedecer a critérios rigorosos e objetivos, salvaguardando a avaliação técnica e a condição clínica dos doentes. Importa, por isso, regular e fiscalizar o trabalho das empresas de gestão de recursos humanos no setor da saúde, para evitar que situações semelhantes possam ocorrer.

Segundo o Bastonário “não é admissível que a remuneração dos médicos seja indexada ao número de altas dadas. É uma visão mercantil e um atentado à qualidade dos cuidados de saúde. A alta clínica é um ato médico que deve ter critérios clínicos rigorosos e nunca poderá estar relacionado com uma bonificação remuneratória.”

“Estas empresas intermediárias de recrutamento de médicos têm tido uma atuação frequentemente desrespeitadora do trabalho médico, da sua valorização e autonomia. Esta é uma prática inaceitável na qual o Ministério da Saúde tem de intervir prontamente e regular este setor.” conclui Carlos Cortes.

O Bastonário Carlos Cortes questionou também o Conselho de Administração do Centro Hospitalar de Setúbal, onde pertence o hospital visado nas notícias.
PUB