Ordem dos Médicos verifica prática no Centro Saúde de Cabeceiras de Basto

A delegação regional do Norte da Ordem dos Médicos anunciou hoje que vai solicitar uma "verificação das condições do exercício da medicina no Centro de Saúde de Cabeceiras de Basto", na sequência de alegadas queixas por negligência médica.

Agência LUSA /

Em comunicado, o organismo, com sede no Porto, adianta que o pedido ao Centro de Saúde se baseia em notícias vindas a público sobre a alegada existência de três queixas por negligência médica na Inspecção-Geral de Saúde, que estão em averiguação.

Contactada pela Agência Lusa, a directora do Centro de Saúde, Regina Bastos, disse que a Ordem dos Médicos não lhe enviou nenhum pedido de verificação.

"Tenho toda a confiança no corpo clínico deste Centro e a população local também pode tê-la", afirmou.

O Centro de Saúde de Cabeceiras de Basto - acrescenta a Directora - tem um total de 11 médicos ao seu serviço, três deles espanhóis, não havendo nenhum utente sem médico de família, a não ser por opção própria.

Sobre o aparecimento de três queixas por alegada negligência médica no Centro de Saúde, a médica diz que "a Inspecção-Geral de Saúde dirá, a seu tempo, qual o resultado apurado".

Uma fonte do sector disse à Lusa que a existência de queixas afecta - a confirmar-se a sua veracidade, o que na maior parte dos casos investigados não sucede - a prática médica dos profissionais do sector e não a Directora do Centro, "já que não toca questões organizacionais nem problemas de falta de equipamentos, de instrumentos ou de meios auxiliares de diagnóstico".

As queixas por alegada negligência na assistência médica, que terá conduzido à morte dos utentes depois de terem sido atendidos no Centro de Saúde, deram entrada em 2003 e 2004 e em Março de 2005 na Inspecção-Geral.

Um dos queixosos, Henrique Fechas, de Cabeceiras de Basto, disse à Lusa que são quatro as queixas que deram entrada no Tribunal referentes a quatro mulheres que terão falecido após terem sido atendidas no Centro de Saúde.

Henrique Fechas adiantou que o caso da sua falecida mulher ocorreu em Novembro de 2004 quando se deslocou à unidade de saúde com uma dor na perna, onde foi medicada com uma injecção, acabando por morrer meia hora depois, por se ter sentido mal já fora das instalações.

O caso foi comunicado ao Centro de Saúde que o enviou para a Inspecção-Geral de Saúde onde está a ser averiguado.

Segundo aquele cidadão, uma outra queixa reporta a uma mulher que, em Outubro de 2004, faleceu com uma perfuração nos intestinos no Hospital de Vila Real. A doente teria estado na Urgência do Centro de Saúde, com uma infecção que alegadamente não foi diagnosticada.

O terceiro caso de suposta "negligência" passou-se em 2002, quando uma mulher grávida terá falecido com uma infecção que não foi detectada, já que - diz o queixoso - não lhe foram feitos quaisquer exames clínicos.

O quarto caso - que a Lusa não conseguiu confirmar - é, supostamente, o de uma mulher que morreu de enfarte, a caminho do hospital de Fafe, depois de ter sido vista por um médico no Centro de Saúde, que lhe terá diagnosticado um problema de vesícula.

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