órgãos de gestão de escola demitem-se por causa de cedência de pomar
Viana do Castelo, 28 Jul (Lusa) - Os órgãos de gestão de um agrupamento de escolas de Viana do Castelo demitiram-se em bloco, em protesto contra a cedência do "pomar" da escola-sede a uma instituição de solidariedade social da cidade, revelou hoje o líder concelhio do CDS-PP.
Em comunicado, Aristides Sousa (professor na EB 2-3 Frei Bartolomeu dos Mártires, a escola em questão) acusa o Governo e os militantes do PS "com responsabilidade em órgãos de poder e de soberania" de serem os responsáveis pela situação criada e pela perturbação que se vai reflectir no arranque do ano lectivo, naquele agrupamento.
O dirigente centrista sustenta que o processo foi conduzido "em segredo e à revelia dos órgãos da escola" e que dele "fica evidente que a política do PS é servir interesses particulares em detrimento dos públicos".
Em causa estão perto de 700 metros quadrados de um terreno que, segundo um ofício do Conselho Executivo da escola, agora demissionário, estão "de há longa data" ocupados por um pomar, "reservado ao contacto mais directo dos alunos com a natureza e à intervenção de eventuais clubes de índole ecológico".
Por decisão dos ministérios das Finanças e da Educação, esse terreno vai agora passar para a posse do Lar de Santa Teresa, uma instituição particular de solidariedade social presidida por Armando Soares Pereira, líder da Assembleia Municipal de Viana do Castelo, de maioria PS.
Aristides Sousa considera que esta situação é "a vários níveis intolerável" e insinua mesmo que ele poderá configurar "um caso de polícia", por eventual favorecimento ao lar.
"O património público não é uma quinta do PS", frisa o dirigente do CDS/PP.
Acusações e insinuações refutadas pela direcção do Lar de Santa Teresa, que rejeita quaisquer conotações político-partidárias e que refere que "caso de polícia é a ocupação abusiva, por parte da escola, daquele espaço da instituição, sem pagar um cêntimo" por isso.
"Apenas queremos que nos devolvam o que é nosso", refere a direcção do Lar de Santa Teresa, sublinhando que a "saga" pela recuperação daquela parcela de terreno já dura há 15 anos.
A Associação de Pais e Encarregados de Educação da escola já contestou publicamente esta cedência, lembrando que o pomar dá fruta que é distribuída aos alunos à hora do lanche, "o que constitui um acto pedagógico de interesse relevante".
"Esse local é também utilizado para plantações e sementeiras, no âmbito das Ciências Experimentais. Em tempo em que tanto se defende a experimentação, no mínimo parece-nos estranho que esteja a ser confiscado à escola, de modo tão leve, este espaço que para tal é utilizado", sustenta a associação.
O Conselho Executivo demissionário garante que "nunca foi ouvido ou consultado" sobre a cedência tendo apenas sido sondado de forma indirecta.
O Lar de Santa Teresa alega que precisa daquela parcela para fazer uma entrada "digna" e construir um pequeno espaço de lazer para idosos.
Acrescenta que o terreno em causa "era uma lixeira", que "não é utilizado pelos alunos" e que "não faz falta nenhuma à escola".