Ourives suspeito de fabricar joias de ouro falso julgado em Aveiro
Aveiro, 29 jul (Lusa) - Um ourives de Gondomar suspeito de fabricar joias falsas, que depois eram transacionadas em lojas de penhores como se fossem totalmente manufaturadas em ouro, vai começar a ser julgado no próximo mês de setembro no Tribunal de Aveiro.
O homem, de 51 anos, está acusado de dezassete crimes de falsificação de notação técnica.
No banco dos réus vão estar sentados, também, cinco homens, com idades entre os 33 e os 55 anos, a quem o ourives entregava as peças falsificadas para que eles as entregassem em lojas de penhores e obtivessem os respetivos empréstimos em dinheiro.
Além dos crimes de falsificação de notação técnica, estes arguidos respondem ainda por dezenas de crimes de burla.
Segundo a acusação do Ministério Público, a que a agência Lusa teve hoje acesso, as peças falsificadas tinham aproximadamente 32% de ouro e 68% de cobre e não eram suscetíveis de serem legalizadas.
Os referidos objetos apresentavam "marcas de punções de fabrico e de contrastaria", sinais que normalmente conferem autenticidade às joias em ouro ou outros metais preciosos.
Estas marcas seriam colocadas pelo ourives usando um aparelho contrafeito de características não apuradas, para dar a estes artefactos a aparência de serem objetos totalmente manufaturados em ouro e de terem o respetivo sistema de marcação legal.
Os artigos também reagiam positivamente ao teste do "toque do ouro", que consistia na raspagem das peças num seixo e na aplicação de um reagente químico na pequena percentagem de ouro que fica na pedra.
O esquema foi descoberto em setembro de 2010, quando os suspeitos tentaram obter um empréstimo numa loja de penhores em Aveiro, apresentando diversos artigos de ouro falso com o peso total de 1,2 quilos.
Depois de verificarem as marcas de punção e efetuado o teste para apurar o conteúdo do metal precioso, os funcionários do estabelecimento procederam à limagem das peças e verificaram que estas apenas tinham um banho de ouro que cobria um metal que não era ouro.
Segundo a acusação, entre janeiro e setembro de 2010, os arguidos conseguiram transacionar dezenas de fios, pulseiras e gargantilhas em cobre com revestimento em ouro, em várias lojas de penhores em todo o país.
As burlas detetadas rondam os 91 mil euros.