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Padre condenado por violação. "Não me custa nada ir para a prisão!"
Humberto Gama, de 87 anos, foi condenado esta terça-feira pelo Tribunal de Vila Real por violação, burla qualificada e usurpação de funções.
Um antigo sacerdote católico de 87 anos foi esta terça-feira condenado pelo Tribunal de Vila Real a cinco anos e seis meses de prisão efetiva pelos crimes de violação, burla qualificada e usurpação de funções.
"Eu não fiz nada. Eu não conheço a pessoa. Só se violei o ar", afirmou aos jornalistas, depois da leitura do acórdão. "Nego tudo, dos pés à cabeça", assegurou.
O arguido voltou a manifestar tranquilidade perante a possibilidade de cumprir a pena de prisão, apesar da idade. "Vou para a prisão, qual é o problema? Com 87 anos, já morro lá e tudo. Cinco anos e meio. Já morro lá", afirmou.
Nas alegações finais, o MP tinha pedido seis anos de prisão, enquanto a defesa reclamou a absolvição.
O arguido contestou a decisão e deixou em aberto a possibilidade de recurso, tendo a sua advogada indicado que irá recorrer da sentença.
"Não me custa nada ir para a prisão. Já lá estive quatro meses", afirmou Humberto Gama, que esteve em prisão preventiva entre dezembro de 2021 e abril de 2022.
O antigo sacerdote rejeitou igualmente ter cometido burla. "Eu nunca recebi um tostão da Igreja", declarou, acrescentando que não concorda "minimamente com nada de tudo o que foi ali dito".
Acusação remonta a dezembro de 2021
O processo remonta a dezembro de 2021, quando Humberto Gama foi detido pela Polícia Judiciária, por suspeitas de violação de uma mulher de 47 anos.
Segundo a acusação, o arguido continuou durante décadas a apresentar-se como padre e exorcista da Igreja Católica, apesar de ter sido afastado da instituição em 1979.
Em causa estava também a atividade que desenvolvia num consultório instalado na sua habitação, no concelho de Murça, onde, em dezembro de 2021, recebeu duas mulheres para consultas de aconselhamento e orientação espiritual. Uma delas encontrava-se, segundo o processo, numa situação de vulnerabilidade psicológica.
O antigo sacerdote foi condenado por um crime de burla, um crime de usurpação de funções e um crime de violação.
Estava inicialmente também acusado de coação sexual, mas esse crime deixou de integrar o julgamento depois de a alegada vítima se ter recusado a depor e desistido da queixa.
O arguido foi ainda condenado ao pagamento de uma indemnização de 20 mil euros a esta ofendida.
Humberto Gama garantiu ainda que continua "cada vez mais" a exercer atividade como exorcista.
O antigo sacerdote acrescentou ainda que mantém o contacto com pessoas que o procuram e que se desloca a casas para as benzer.
Refira-se que o julgamento começou a 12 de maio e decorreu à porta fechada.
A leitura do acórdão, inicialmente prevista para 30 de setembro, foi adiada na sequência de um pedido de esclarecimentos ao Instituto de Medicina Legal.