País
Padres abusadores que continuam no ativo "constituem um perigo real", diz Pedro Strecht
O coordenador da Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais de Crianças na Igreja Católica, Pedro Strecht, defende que sejam ativados mecanismos para lidar com os padres apontados pelas vítimas e que continuam no ativo. Isto porque, nos estudos já feitos, "o perfil da maior parte das pessoas abusadoras é de continuidade da persecução do mesmo tipo de crime", pelo que "constituem um perigo real", explicou.
Foto: Manuel de Almeida - Lusa
Para o coordenador da Comissão Independente, uma das hipóteses da Conferência Episcopal Portuguesa é, pelo menos e para já, afastar essas pessoas do contacto direto com crianças, “em nome da saúde pública e do bem-estar”.
“A taxa de reincidência é muito forte”, pelo que “não basta minimamente dar retiros espirituais a estas pessoas prevaricadoras”, defendeu.
Pedro Strecht revelou ainda que a comissão ficou surpreendida com os resultados do relatório, até porque “considerando a dimensão total da dimensão portuguesa e o tempo que nós tivemos versus, por exemplo, a dimensão total da população francesa e o tempo que essa comissão teve, em Portugal nós conseguimos um maior número de registos” durante menor tempo.
O pedopsiquiatra fala numa “enorme resistência” das testemunhas “que só agora começa a ser vencida”, com as vítimas a perceberem que afinal não estão sozinhas.
“Quase 50% das pessoas até à idade atual nunca tinham falado disto com mais ninguém” e “é provável que muitas outras continuem sem falar”, por medo, vergonha, culpa ou desejo de não exposição, elucidou.
“Verificámos também que a maior parte dos abusos foi frequente, foi recorrente – ou seja, em mais de 50% da amostra prolongou-se por mais do que um ano – e marcou do ponto de vista psicológico a grande parte das pessoas que connosco contactaram”.
“Dor e sofrimento nunca prescrevem”
Questionado sobre o facto de as denúncias de abusos sexuais prescreverem após os 23 anos de idade da vítima, Pedro Strecht considera que “a dor e o sofrimento psicológico nunca prescrevem e podem durar a vida toda se não tiverem o apoio necessário”.
Quanto às medidas específicas dos legisladores, a comissão foi recebida pelo presidente da República “que está em total sintonia com esta proposta da comissão para mudar a lei”, alargando a idade para 30 anos.
“Poderíamos ir mais longe, como é óbvio, mas essa é uma tarefa que cabe ser discutida e apresentada em local próprio, nomeadamente pela Assembleia da República”, declarou. “Ainda bem que outros países da Europa já alargaram os seus prazos; quer dizer que não estaremos nunca sozinhos se esse for o caminho”.
O coordenador da Comissão Independente esclareceu ainda que os abusos na Igreja não pertencem ao passado e que ainda hoje continuam a ocorrer, mas que a própria Igreja continua a encobri-los.
Questionado sobre o facto de as denúncias de abusos sexuais prescreverem após os 23 anos de idade da vítima, Pedro Strecht considera que “a dor e o sofrimento psicológico nunca prescrevem e podem durar a vida toda se não tiverem o apoio necessário”.
Quanto às medidas específicas dos legisladores, a comissão foi recebida pelo presidente da República “que está em total sintonia com esta proposta da comissão para mudar a lei”, alargando a idade para 30 anos.
“Poderíamos ir mais longe, como é óbvio, mas essa é uma tarefa que cabe ser discutida e apresentada em local próprio, nomeadamente pela Assembleia da República”, declarou. “Ainda bem que outros países da Europa já alargaram os seus prazos; quer dizer que não estaremos nunca sozinhos se esse for o caminho”.
O coordenador da Comissão Independente esclareceu ainda que os abusos na Igreja não pertencem ao passado e que ainda hoje continuam a ocorrer, mas que a própria Igreja continua a encobri-los.