Pais de Merufe e Riba de Mouro boicotam início do ano escolar
Os pais dos alunos do primeiro ciclo de Merufe e Riba de Mouro, em Monção, anunciaram hoje o boicote ao início do novo ano lectivo, em protesto contra a decisão da DREN de encerrar as escolas daquelas freguesias.
A informação foi avançada à Lusa pelo presidente da Junta de Merufe, Armando Alves, que adiantou estar marcada para quinta-feira uma manifestação de cerca de 3000 pessoas frente à Câmara de Monção para protestar contra o que o autarca classifica de "grande injustiça e um enorme disparate".
"Quando o ano lectivo começar, os pais não vão mandar as crianças para a escola de acolhimento, definida de forma unilateral pela DREN [Direcção Regional de Educação do Norte]. Depois, logo veremos quanto tempo durará o braço-de-ferro", acrescentou Armando Alves.
Pais e autarcas de Merufe e Riba de Mouro já interpuseram, a 06 de Agosto, uma providência cautelar para travar o fecho das escolas das freguesias, "acalentando agora a esperança" de que o tribunal lhes dê razão e seja célere na tomada de decisão.
Antes disso, em Junho, promoveram uma primeira manifestação pública de protesto frente à Câmara de Monção e à DREN, tendo, na altura, este último organismo prometido adiar a decisão até à realização de uma reunião de trabalho no concelho.
A 16 de Agosto, em ofício enviado ao presidente da Câmara de Monção, a DREN comunicou o encerramento das duas escolas, anunciando que os respectivos alunos serão transferidos para a EB 2-3 de Tangil.
No ofício, a DREN refere que, "recolhida a opinião" do presidente da Câmara (José Emílio Moreira, eleito pelo PS) e face à "garantia de que os transportes, as actividades extracurriculares e as refeições serão executadas com qualidade e segurança", estão reunidas as condições para "melhorar o ensino para os alunos" daquelas escolas.
"Assim, não há razão para alterar a proposta presente na Carta Educativa [que prevê o fecho das duas escolas]", acrescenta a DREN.
Pais e autarcas de Merufe e Riba de Mouro apenas tiveram conhecimento desta decisão na segunda-feira, via telefone, tendo imediatamente reunido de emergência para definir novas formas de luta e de protesto.
"Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para impedir o fecho das escolas, que reúnem todas as condições para um ensino de qualidade", garantiu Armando Alves, apontando o dedo também ao presidente da Câmara, a quem acusa de "ter embarcado" na decisão de fechar as escolas.
Merufe tem inscritas 32 crianças para frequentar o 1º ciclo no próximo ano lectivo, enquanto em Riba de Mouro são 39.
"Se há alunos e se as escolas são boas, porque obrigar as nossas crianças a levantar-se às 06:00 e a chegar a casa às 19:00 ou 20:00? Porque misturá-las com alunos com 16 e 17 anos, com todos os perigos que isso acarreta? Porque encaixotá-los numa escola que se debate com falta de espaço?", questiona o autarca de Merufe.
A DREN, em comunicado, afirma que "percebe a preocupação dos pais e encarregados de educação", mas lembra que, com a mudança para a escola de Tangil, que será convertida em EB1,2,3, as crianças passarão a frequentar sempre a mesma escola desde o 1º ao 9º ano.
Refere ainda que a Câmara assegurará o transporte dos alunos, em viagens que, no máximo, durarão 10 minutos.
Recorda também que a actual EB 2-3 de Tangil tem poucos alunos, uma situação que, a manter-se, poderá inviabilizar a continuidade do seu funcionamento.
O presidente da Câmara de Monção, José Emílio Moreira (PS), lembrou que esta concentração de alunos está prevista na Carta Educativa do concelho, mas reconheceu que ela "não precisava de ser automática e imediata" e que deveria ser feita de forma progressiva.