Pais desdobram-se em soluções para deixar os filhos, sem aulas
Lisboa, 30 Nov (Lusa) - Familiares, actividades de tempos livres (ATL), centros de estudo e domésticas foram os destinos encontrados pelos pais para os filhos mais pequenos que hoje ficaram sem aulas devido à greve na Função Pública.
Muitos dos pais contactos pela agência Lusa foram avisados quinta-feira de que os seus filhos iriam ou não ter aulas, permitindo gerir melhor as alternativas disponíveis para deixar as crianças.
Teresa Vicente, contudo, só hoje soube que a escola do filho de 10 anos, em Mafra, estava fechada, obrigando-a a resolver a situação no momento.
A solução passou por colocar o filho na escola do outra filha, de 16 anos, pelo que assim irá assistir às aulas do 11º ano, até à hora de almoço quando for para casa e ficar aos cuidados da empregada doméstica.
Helena Marques, mãe de uma criança de nove anos a frequentar o 4º ano do 1.º ciclo na Amadora, foi avisada quinta-feira de que hoje não haveria aulas, pelo que os avós paternos foram a solução encontrada para a filha passar o dia.
Esta mãe admitiu que se não tivesse o suporte dos sogros, teria de faltar ao trabalho, escusando-se a levar a filha para o emprego.
Também Alexandra Ferreira, com um filho de sete anos inscrito no 2º ano numa escola em Monte Agraço, teve de recorrer hoje mais cedo à "ama" que costuma ficar com o filho, à tarde, depois das aulas.
Faltar ao trabalho era também a solução desta mãe, caso não tivesse outra solução.
Um ATL particular foi o destino encontrado por Emídio Nóbrega para colocar o filho de 8 anos, que está no 3º ano numa escola em Setúbal, e que hoje fechou devido à adesão à greve dos funcionários auxiliares.
"Se não fosse para lá, ia para os avós", adiantou.
Na zona de Benfica, Rosário Silva aguardava às 09:00 para ver se os filhos de 10 e 11 anos tinham aulas na escola Pedro Santarém.
"Caso não tenham aulas ficam no ATL privado que funciona na escola", disse, admitindo que "é sempre um problema saber onde deixar os filhos em dias de greve".
Na mesma escola, Carlos Pequeno também aguardava para saber se o filho de 12 anos tinha ou não aulas.
Neste caso, como aderiu à greve, o pai vai poder ficar com o filho durante todo o dia.
Os centros de estudos particulares, na zona de Benfica, também receberam hoje, pelo menos os filhos de Esmeralda Fonseca e Margarida Carvalho, que não ficavam descansadas se as crianças permanecessem na escola "num dia em que não há vigilantes no recreio".