Pais "encharcam" Direcção de Educação com cartas a questionar futuro escolar dos filhos

Oeiras, 15 Mai (Lusa) - Pais de alunos do Centro de Educação para a Infância de Oeiras têm "encharcado" a Direcção Regional com cartas a pedir esclarecimentos sobre o futuro dos filhos, devido à inexistência de informações sobre as matrículas para o próximo ano lectivo.

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Os Centros de Educação para a Infância (CEPI), que incluem as valências de pré-escolar e creche, eram administrados pelos Serviços Sociais do Ministério da Educação e foram extintos pelo Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado (PRACE), tendo passado a ser geridos pelas Direcções Regionais da tutela até à sua passagem para as redes pública ou solidária.

Para os encarregados de educação do estabelecimento de Oeiras, a mudança não seria prejudicial para as crianças, desde que anunciada com antecedência e acompanhada de explicações sobre a sua integração.

Quando Sofia Santos ligou, em Março, para a Direcção Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo (DRELVT), a fim de conhecer as datas das inscrições para o ano lectivo 2008/2009, não esperava ouvir que o Centro não iria abrir vagas para bebés, apesar de ter sido informada de que os actuais alunos - como o seu filho mais velho, de dois anos - poderiam manter-se por mais um ano.

"Rumores" sobre a impossibilidade de as crianças de dois anos transitarem para a valência de jardim-de-infância motivaram-na, porém, a pedir insistentemente esclarecimentos àquela entidade, mas todas as respostas foram "evasivas" e insuficientes.

"Disseram que estavam a tentar encontrar soluções, mas nunca avançam nada. O problema é que agora já não encontramos vagas em lado nenhum, nem mesmo a pagar", lamentou à Lusa.

"Já não é uma questão de pagamento, embora nem todos tenham condições para pôr os filhos noutro sítio. Também não nos importamos que vão para a rede pública, pois é-nos garantida a continuidade de professoras destacadas e funcionários do quadro, até agradecemos", explicou Fernando Gomes, encarregado de educação.

Segundo Fernando Gomes, os pais têm "encharcado" a DRELVT com cartas diárias a pedir explicações sobre o futuro dos filhos, uma iniciativa que ainda não teve qualquer sucesso.

Hoje de manhã, os responsáveis pelo CEPI de Oeiras estiveram reunidos com os serviços, mas a coordenadora Paula Delgado preferiu não adiantar as "orientações" recebidas antes de o Ministério o fazer publicamente.

Contactada pela Lusa, a directora municipal de Desenvolvimento Social e Cultural, Ana Runkel, referiu que a autarquia foi informalmente abordada pela DRELVT sobre uma eventual integração do Centro na rede pública de Oeiras, mas adiantou que a passagem do equipamento para a gestão camarária "não se mostra viável".

"Após visita às instalações pelos técnicos da autarquia verificou-se que as obras de recuperação e ou adaptação corresponderiam à construção de raiz de um novo edifício", informou a responsável.

Até ao momento, não foi possível obter qualquer explicação da DRELVT sobre o assunto.

RYC.


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