Pais favoráveis a fusão de ciclos mas "com muita cautela" e condições
A presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP) disse hoje à Lusa que este organismo é favorável à possível fusão entre o primeiro e o segundo ciclos escolares, mas "com muita cautela e condições" para a mudança.
Segundo explicou Mariana Carvalho à Lusa, a CONFAP tem assento no Conselho Nacional de Educação (CNE), onde o tema tem sido trabalhado e discutido, e nesse contexto os pais são "favoráveis a esta transição", que não pode acontecer "de um dia para o outro", precisando de condições para "realmente ter sucesso".
"Ainda não sabemos muita coisa neste momento. Temos vindo a conversar há muitos anos, e a CONFAP também salienta a necessidade de haver uma transição diferente entre o primeiro e o segundo ciclo. Era uma transição muito grande e que muitas vezes tanto crianças como professores não estavam preparados. Temos de criar sinergias, acreditamos que há potencialidade de ser mais facilitador, de ser melhor, para todos", acrescentou.
A dirigente da confederação de associações de pais falava à Lusa à margem de uma visita à Escola Básica/Jardim de Infância do Meiral, em Vila Nova de Gaia, para assinalar o arranque do ano letivo.
"Queremos desejar um excelente ano letivo a toda a comunidade educativa, especialmente aos nossos alunos, mas com muito foco nos professores, assistentes operacionais e famílias, também, lembrando sempre câmaras e juntas de freguesia, que estão sempre dentro da escola e muitas vezes não nos lembramos delas", declarou.
Segundo Mariana Carvalho, a palavra para o ano que se inicia "é de esperança", para que seja "mais tranquilo e ainda melhor", numa altura em que tanto conhecimento como "valores humanos" são necessários para o futuro, contra "a intolerância, o stress do dia a dia".
Perante um verão "muito atribulado" nas escolas, a dirigente lembrou que estão "muitas alterações à porta" e pediu que todos se preparem para dar a melhor resposta possível.
Em entrevista ao jornal Público e à Rádio Renascença, o ministro da Educação anunciou que, a partir do ano letivo 2027/2028, vai decorrer o projeto-piloto de fusão do 1.º e 2.º ciclos do ensino básico num conjunto alargado de escolas do país.
Em declarações quinta-feira aos jornalistas em Braga, Fernando Alexandre disse que a medida implicará mudanças curriculares e que uma equipa está a trabalhar no projeto-piloto, do qual não deu muitos pormenores.
A fusão do 1.º e 2.º ciclos foi defendida em 2008 num estudo do Conselho Nacional de Educação, mas não chegou a ser concretizada.
O presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, Filinto Lima, vê a medida como positiva, mas defende que é preciso ser "explicada urgentemente", enquanto a Federação Nacional de Educação vê vantagens pedagógicas na integração, alertando que esta reforma não pode ser usada para responder à falta de docentes, reduzir contratações ou aumentar a mobilidade.
A Federação Nacional dos Professores afirmou que a medida implica uma alteração à lei de bases do sistema educativo e carece de estudos sobre vantagens e desvantagens, enquanto o secretário-geral da Fenprof, Francisco Gonçalves, manifestou reservas sobre a medida, que receia ser uma forma de gerir recursos humanos face à falta de professores.