Países dos alunos que mais copiam são os mais corruptos
Os países onde os alunos dos cursos de Economia e Gestão mais copiam são também aqueles em que existem índices de corrupção mais elevados, segundo um estudo da Faculdade de Economia.
O estudo revelado hoje pelo Diário de Notícias, que incidiu sobre mais de sete mil alunos de Economia e Gestão de 21 países dos quatro continentes, concluiu pela existência de uma "forte correlação" entre a prática de copiar e a corrupção de um país.
As investigadoras Aurora Teixeira e Fátima Rocha associaram a percentagem de alunos que admite copiar e medidas de corrupção, como o Índice Internacional de Transparência, no estudo de maior dimensão mundial em número de países avaliados.
O estudo incidiu nos alunos das licenciaturas de Economia e Gestão porque, segundo as investigadoras citadas pelo Diário de Notícias, são "potencialmente os líderes económicos e políticos".
Os alunos dos países do Leste da Europa são os que mais copiam, com a Polónia a liderar a tabela, com 100 por cento de probabilidades de um aluno copiar, seguida da Roménia, com 96 por cento, e da Eslovénia, com 84, 6 por cento.
Na América Latina, o Brasil tem a mais elevada percentagem de alunos a copiar, 83 por cento, seguido da Colômbia, com 72,7 por cento.
São do Norte da Europa os alunos que menos recorrem a práticas desonestas: na Suécia apenas 4,5 por cento copia e na Dinamarca 5,1 por cento.
Em Portugal, a probabilidade de copiar é de 62, 4 por cento, a mais baixa do conjunto dos países da Europa do Sul, liderada pelos alunos espanhóis com 79,6 por cento, seguidos dos turcos com 65,4 por cento.
Na Europa Ocidental, os alunos franceses destacam-se no "copianço", existindo 83,9 por cento de probabilidades de o fazerem, na Áustria o índice situa-se nos 71,6 por cento e na Alemanha é de 50 por cento.
Para os alunos britânicos e irlandeses, a probabilidade de copiar é de 14,4 por cento.
Nos Estados Unidos da América, a probabilidade situa-se nos 38,9 por cento.
As excepções à correlação entre corrupção e "copianço" são a Nigéria, que tem um dos mais elevados índices de corrupção percebida e 42,6 por cento de probabilidades de copiar, e a Argentina, "alvo de várias tentativas para diminuir a corrupção" e com a probabilidade de os alunos copiarem a situar-se nos 44,5 por cento.