Palácio da Justiça do Porto parece "prédio vazio"

Porto, 30 Nov (Lusa) - O Palácio da Justiça do Porto parecia hoje "um prédio vazio" devido à greve geral da Função Pública, que segundo fonte sindical teve uma adesão de mais de 50 por cento naquele tribunal.

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"Isto hoje é um prédio vazio. Ontem [quinta-feira] estávamos aqui e havia muito movimento. Ouviam-se chamadas para julgamento. Hoje só se ouviu a nossa", disse à agência Lusa uma testemunha de um processo em julgamento.

Joaquim Antas, delegado sindical dos funcionários judiciais do Tribunal da Relação do Porto, disse à Lusa que adesão à greve no Palácio da Justiça ronda os "50 a 60 por cento".

"Há vários julgamentos adiados, secções que não estão a funcionar, processos que não são recepcionados e prazos judiciais não cumpridos", salientou Joaquim Antas.

A Lusa constatou no local que as secretarias de duas das cinco secções do Tribunal da Relação estavam vazias.

"Ainda agora esteve aqui um advogado que voltou para trás. Vinha consultar um processo, mas não estava ninguém na secção", afirmou o delegado sindical.

No Tribunal de S.João Novo, no Porto, também visitado pela Lusa, o cenário era de deserto humano, mas o funcionário da portaria avisou que "a sexta-feira é sempre um dia muito calmo".

"Raramente há julgamentos à sexta-feira. Ainda só entrou uma visitante, que até já saiu", disse o funcionário, 45 minutos depois da abertura ao público do tribunal.

"Até aproveitei para regar as plantas", acrescentou.

O Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) aderiu à greve geral de hoje da Função Pública em protesto pelo que considera a "evidente atitude de menorização" da classe por parte do Ministério da Justiça.

No pré-aviso de greve, o SFJ critica os "equipamentos obsoletos na maioria das secretarias", a inexistência de formação, a redução do número de funcionários e a "arbitrariedade" na colocação de oficiais de justiça.

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