Pandemia prejudicou saúde mental dos jovens portugueses

Um em cada quatro admite que se magoou no último ano de forma propositada, para lidar com a infelicidade. É uma das conclusões de um estudo que a Direção-Geral da Saúde, em conjunto com a Organização Mundial da Saúde, divulga esta quarta-feira.

Antena 1 /

Mas nem todos os dados são menos positivos: os jovens estão a beber e a fumar menos.

Outros dados convocam alguma atenção. Os adolescentes fazem mais sexo desprotegido, sentem-se mais ansiosos e nervosos e recorrem mais à medicação.

A coordenadora do estudo, Tânia Gaspar da universidade lusófona, mostra-se particularmente preocupada com a questão da saúde mental e do bem estar: “as preocupações, do stress, da tristeza, mas também outros indicadores com ao tomada de medicação para sintomas mais emocionais relacionados com a ansiedade e com o stress…”

Já havia esta perceção, mas o estudo é um ponto de partida. Agora é preciso que existe uma maior literacia e consciência dos problemas de Saúde mental para melhor compreender e arranjar estratégias para gerir estas emoções, remata Tânia Gaspar.

Também o diretor do serviço de psiquiatria do hospital de São João, no Porto, Miguel Bragança confirma que houve um ligeiro aumento do número de jovens à procura de apoio psiquiátrico.
Para Miguel Bragança falta profissionais no Serviço Nacional de Saúde para ajudar os mais novos a combaterem problemas graves como por exemplo a automutilação.
A vice-presidente da ordem dos psicólogos diz que “é preciso intervir já” e descreve um cenário onde os jovens portugueses correm o risco de apresentarem quadros profundos de depressão se não tiverem ajuda especializada.

Sofia Ramalho diz que tem se registado um aumento da procura por um psicólogo especialmente dos jovens que frequentam o ensino superior.

A vice presidente da ordem dos psicólogos pede por isso que sejam criados mais acessos para os jovens chegarem aos psicólogos pois aqueles que são disponibilizados pelos centros hospitalares são insuficientes.

O estudo envolveu quase seis mil alunos de vários agrupamentos de escolas, jovens do 6.º ao 10.º ano. Os inquiridos tinham em média 14 anos.

Vai ser apresentado em sessão pública às 14h00.
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