Parceria estratégica Portugal-China marca reunião com Sócrates

O acordo de parceria estratégica global assinado em Dezembro de 2005 entre Lisboa e Pequim dominou hoje a reunião de José Sócrates com o vice-presidente da Assembleia Popular da China, revelou à agência Lusa o gabinete do primeiro-ministro.

Agência LUSA /

No encontro entre o chefe do executivo português e Wang Zhaoguo foram "reiteradas as boas relações" entre os dois países, com ênfase no "investimento chinês" e na conveniência de "duplicar o comércio bilateral nos próximos três anos", precisou a fonte.

Em números oficiais, o comércio bilateral luso-chinês ultrapassou os 1.000 milhões de dólares norte-americanos, pela primeira vez, em 2005, acima do valor registado no ano transacto.

No plano das exportações portuguesas, foi batida a fasquia dos 300 milhões de dólares norte-americanos, três vezes acima do montante do ano anterior.

Desde 1979, o Produto Interno Bruto (PIB) da China tem tido um crescimento sustentado acima dos nove por cento ao ano, o que lhe permitiu sair de uma economia agrícola para emergir como grande potência industrial.

O objectivo de Pequim é triplicar o PIB per capita até 2020, passando de 1.000 dólares norte-americanos (aproximadamente 850 euros) para 3.000 (acima de 2.500 euros).

As autoridades chinesas defendem que Portugal não deve apenas investir em Macau, mas no continente, seja nas antigas zonas industriais do nordeste, seja nas menos desenvolvidas do noroeste.

O gabinete de José Sócrates salientou que também foi abordada a visita do primeiro-ministro português à China "no horizonte de um ano", em resposta a um convite do seu homólogo de Pequim.

Por seu turno, a Embaixada da China em Lisboa, depois de também assinalar a importância do acordo de parceria estratégica debatido quando Wang Zhaoguo foi recebido na segunda-feira pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, destacou na reunião de hoje a atenção dada ao "aumento do conhecimento recíproco, incremento da confiança e promoção da cooperação".

O estatuto de parceiro estratégico chinês só é partilhado, juntamente com Portugal, pela Espanha, Grã-Bretanha, França e Alemanha.

Esta parceria envolve vários domínios: diálogo político, reforço das relações económicas e protecção dos investimentos, bem como cooperação nos sectores da justiça, saúde, educação, ciência, tecnologia e cultura.

É de destacar o intercâmbio entre instituições fundamentalmente aos níveis da pós-graduação e doutoramento em áreas científicas e técnicas, sem esquecer o interesse quer dos jovens chineses na aprendizagem do idioma de Camões, quer dos portugueses no mandarim.

De acordo com a representação diplomática de Pequim, interesse especial mereceu a promoção do acordo de cooperação no sector judiciário subscrito aquando da visita a Portugal do primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, a 09 e 10 de Dezembro de 2005.

Wang Zhaoguo foi particularmente sensível, segundo a fonte da embaixada chinesa, a questões de natureza constitucional, legislativa e do funcionamento do hemiciclo.

A delegação oficial chinesa recebida por José Sócrates integrou, além de Wang Zhaoguo e do embaixador em Portugal, quatro elementos da Comissão Permanente da Assembleia Popular.

Wang Zhaoguo deixa Portugal na quarta-feira, com destino a Paris.


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