Parlamento português condena violação da liberdade religiosa por Israel
O parlamento português condenou hoje por maioria, com a abstenção do Chega, a violação da liberdade religiosa pelo Governo israelita, ao impedir o Patriarca Latino de celebrar missa no Santo Sepulcro.
Em 29 de março, Domingo de Ramos na tradição católica, a polícia israelita impediu o Patriarca Latino de Jerusalém e o padre da Igreja do Santo Sepulcro de entrarem no local sagrado para celebrarem a missa, "pela primeira vez em séculos", segundo o Patriarcado Latino.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, alegou na ocasião questões de segurança para justificar a decisão da polícia , mas acabaria por recuar e permitir o acesso do Patriarca Pizzaballa.
Livre e o deputado único do Bloco de Esquerda, Fabian Figueiredo, levaram hoje à comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas dois votos de condenação à atuação das autoridades israelitas.
"É conhecido que o Governo israelita não proibiu as celebrações por motivos de segurança, havia uma autorização prévia e a Santa Sé já o confirmou", comentou o deputado bloquista.
Segundo Fabian Figueiredo, "a perseguição aos cristãos tem-se intensificado, por parte de colonos ou das forças armadas israelitas" e "um em cada dois cristãos pensa emigrar por causa da ocupação israelita".
Rui Tavares (Livre) falou de um "padrão de comportamento [de Israel], com constantes infrações à liberdade religiosa de todas as minorias".
A deputada social-democrata Olga Freire manifestou "preocupação" e recordou que o Governo português deu conta da "mais firme reprovação" do ocorrido, uma "condenação que se inseriu numa vaga internacional mais ampla".
"É evidente que o Chega defende a liberdade religiosa", disse o deputado Diogo Pacheco Amorim, que manifestou "dúvida se houve intencionalidade de coartar uma liberdade religiosa ou se foi devido à situação de guerra", justificando assim a abstenção.
A socialista Catarina Louro também transmitiu uma "reprovação firme" deste episódio, que considerou "muito grave e injustificável".