Parque Biológico de Gaia assinala Dia Mundial do Animal com libertação de aves

Vila Nova de Gaia, 04 out (Lusa) - "Passa, ave, passa, e ensina-me a passar!" podia resumir a ação do Centro de Recuperação de Fauna do Parque Biológico de Gaia (PBG), que assinala hoje o Dia Mundial do Animal com a libertação de algumas dezenas de pássaros.

Lusa /

O excerto é de um poema de Fernando Pessoa, já o trabalho de recuperação de aves feridas encontradas, apreendidas ou entregues no PBG - o primeiro centro de recuperação que abriu em Portugal - tem cerca de trinta anos, estando mais "sistematizado" desde há uma década.

"É um trabalho importante por duas razões: pela conservação da natureza, a questão das espécies raras, mas fundamentalmente pela educação ambiental", descreveu à Lusa o diretor do PBG, Nuno Oliveira.

Às vezes algumas famílias fazem quilómetros para entregar um animal ferido. A fiscalização por parte das autoridades também tem vindo a aumentar, mas o PBG garante que "sensibilização nunca é demais".

Até à data, em 2014 ingressaram no centro gaiense cerca de 1.500 animais, dos quais cerca de 800 são espécies selvagens. "Destes 800, 50% foram recuperados e devolvidos à natureza", informou a direção.

Em 2013, este espaço acolheu 3.289 animais vivos, mais 1.170 face ao ano anterior. Tratou-se do maior número de animais vivos que deram entrada num ano. Em 2000 foram 304 os animais recolhidos.

Os dados do PBG apontam que os particulares são a principal "fonte" de entregas: 47,2%. O Serviço de Proteção da Natureza da GNR ocupa o segundo posto (28,7%), enquanto a Brigada de Proteção da Natureza da PSP, com 13,3%, e o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas com 4,6%, são a terceira e a quarta "fontes".

Os animais são maioritariamente provenientes do distrito do Porto e litoral centro e norte.

Animais apreendidos (39%), encontrados feridos (18,6%), domésticos oferecidos (16,7%), órfãos (11,6%) e debilitados (8,8%) são as principais causas de entrada.

Em 2013 foram principalmente as aves, 77,9%, que ingressaram o centro de recuperação, seguindo-se os répteis (15%).

O diretor do PBG indicou que os profissionais deste parque procuram fazer as "libertações na área de onde os animais vieram", ou seja, no seu "habitat mais próprio", como está a acontecer ao longo desta comemoração do Dia do Animal.

As asas de aves recuperadas - na sua maioria corujas do mato, falcões e mochos galegos - vão voltar a bater em serras e parques naturais de vários concelhos nortenhos como Vila Nova de Gaia, Valongo, Maia, Amarante, Gondomar, São João da Madeira e Oliveira de Azeméis.

Não é possível indicar uma estimativa de tempo para a recuperação de um animal ferido porque tudo "depende do seu estado e da origem".

"Alguns podem ser libertados de imediato, como os pintassilgos. Mas às vezes entram animais feridos que têm processos de recuperação e de musculação lentos", descreveu o diretor.

E à reabilitação física acresce o respeito pelo ritmo próprio dos animais. Este centro já recuperou várias cegonhas que quando estão em estado propício para o ar livre, ficam num cercado descoberto no parque: "Às vezes estão ali meses antes de levantarem voo. Elas lá saberão quando estão prontas".

O relatório do PBG indica, também, que, no ano passado, foram incluídos 56 animais na coleção zoológica, o que corresponde a 2,3% das entradas. Este grupo abarca animais provenientes de cativeiro prolongado assim como os que deram entrada como irrecuperáveis.

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